Criador do movimento afro-percussivo Bandalho, ainda na década de 1990, o músico, cantor e compositor João Sereno, morador do bairro Piranga e filho de Juazeiro, voltou a ocupar o Carnaval da cidade para reapresentar o SomGon, ritmo criado por ele e carregado de identidade.
No primeiro Carnaval antecipado do Brasil, a aprovação veio rápida. Além do apoio da Prefeitura de Juazeiro, foi o público quem deu o veredito. Os foliões se entregaram à batida e, entre um refrão e outro, o pedido era o mesmo: “toca de novo”.
Com base rítmica de matriz ternária, envolvente e contagiante, o SomGon chega para somar à já rica tradição musical de Juazeiro, município conhecido nacionalmente como a “Terra da Alegria”. A novidade reforça a vocação cultural da cidade, berço de nomes como João Gilberto, pai da Bossa Nova, e Ivete Sangalo, rainha do axé, símbolos da criatividade que nasce às margens do Velho Chico.
O lançamento do ritmo foi marcado por emoção e respeito à história musical juazeirense. No palco, João Sereno fez questão de reverenciar artistas e personalidades que ajudaram a construir essa identidade cultural, como Neto e Mundinho, o compositor Galvão, o cantor e compositor Mauriçola, o sanfoneiro Raimundinho do Acordeon, o irreverente Manuka Almeida e Targino Gondim, músico consagrado e atual secretário de Cultura do município.
Para a gestão municipal, o surgimento do SomGon representa a capacidade de Juazeiro de se reinventar sem romper com suas raízes. A cidade segue exportando alegria, cultura e inovação, fortalecendo seu papel como polo criativo da Bahia e do Brasil, especialmente em um Carnaval que valoriza diversidade, memória e produção artística local.
Versátil e promissor, o SomGon nasce com potencial para embalar trios, palcos e novos projetos musicais, além de inspirar outros artistas a explorarem o ritmo. Com iniciativas assim, Juazeiro reafirma que sua música não tem fronteiras e que, mais uma vez, o Carnaval do Brasil começa aqui.
Se quiser, posso deixar o texto ainda mais “reportagem quente”, com mais clima de rua, ou mais analítico, focando no impacto cultural do SomGon.