InícioNotíciasMPPE promove discussão sobre engajamento social e ética médica no tratamento e...

MPPE promove discussão sobre engajamento social e ética médica no tratamento e vacinação da Covid-19

Autor

Data

Categoria

A primeira edição do Grande Encontro de Cidadania de 2021, realizada na quarta-feira (10), trouxe um debate para reforçar a necessidade de que toda a sociedade fiscalize e denuncie irregularidades no processo de vacinação contra a Covid-19, assim como entenda os princípios e dilemas éticos e científicos que permeiam o tratamento clínico da doença e as pesquisas de medicamentos para combatê-la. Pela plataforma Google Meet, o Centro de Apoio Operacional à Promotorias de Defesa da Cidadania (Caop Cidadania) reuniu promotores de Justiça, secretários do Governo do Estado, representantes de movimentos sociais e o médico e professor Aurélio Molina, que é Ph.D pela Universidade de Leeds (Inglaterra), membro das Academias de Ciências e de Medicina de Pernambuco e da Câmara de Bioética do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), além de coordenador do curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco (FCM-UPE).

O debate foi aberto pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Augusto Freitas, que lembrou que estar atento e cobrar a obediência rigorosa aos protocolos de vacinação é uma obrigação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). “É preciso que se siga à risca os critérios de prioridade no processo de vacinação, para que os grupos determinados como de maior risco sejam vacinados primeiro. Nossa gestão se baseia na promoção de inclusão social e redução de desigualdades sociais, que inclui não permitir desrespeito à fila de aplicação das doses, especialmente nesse cenário de escassez de vacinas, onde alguém que mais precisa vai ficar de fora por causa dos chamados fura-filas”, pontuou Paulo Augusto Freitas.

A coordenadora do Caop Cidadania, a promotora de Justiça Dalva Cabral, que mediou o debate, complementou a fala do procurador-geral de Justiça alegando que as pessoas devem não se intimidar e denunciar quem fura a fila da vacinação. “É fundamental o engajamento da sociedade para que se respeite o mais sagrado dos direitos: à vida. Os grupos prioritários são os que mais têm propensão a contrair e morrer por Covid-19. Nessa luta, a sociedade precisa se autodefender”, afirmou ela.

Assim, quem souber ou presenciou alguma irregularidade deve procurar a Ouvidoria do Ministério Público, as polícias Civil ou a Militar e relatar o crime, para que as medidas sejam adotadas. “Quando alguém que deve tomar a vacina não toma, há um sacrifício da cidadania, há um benefício indevido”, ressaltou Dalva Cabral. “Os cidadãos se unindo aos agentes estatais torna a fiscalização mais forte e eficaz. Neste momento, precisamos despertar o sentimento de legalidade, de Justiça e de obediência às normas, para que todo mundo possa sair com o mínimo de danos possíveis dessa pandemia”, completou ela.

O médico e professor Aurélio Molina alegou que o tratamento da pandemia do Covid-19 ainda é cercado de interrogações, mas que ele precisa se balizar em método científico e em evidências testadas para que ocorram as intervenções médicas. Assim, ideologias não podem interferir, sejam elas quais forem, nas pesquisas de medicamentos e vacinas. “A ética científica tem que estar acima de embates políticos e não se pode ter preconceito com tratamentos. No entanto, se foi comprovado que um produto não funciona e até tem efeito maléfico, continuar a utilizá-lo no paciente é crime”, atestou ele.

Molina ainda defendeu que o tratamento humanizado continua mostrando bons resultados, pois tem grande valor do ponto de vista terapêutico. “Gente cuidando de gente traz resultados melhores. Há casos, por exemplo, que precisam ser individualizados seja qual doença for, sem esquecer, claro, do rigor científico de comprovações”, revelou.

Postagens Mais Vistas