Mais de 60 milhões de brasileiros vivem em cidades com menor garantia de abastecimento de água, o que se traduz em risco constante de racionamento. A escassez também ameaça as atividades de produção, como indústria e agropecuária, que dependem da água para produzir cerca de R$ 228 bilhões da riqueza do país por ano. As informações são do Plano Nacional de Segurança Hídrica (PNSH), lançado em 2019 pelo Governo Federal.
Trinta anos após a ONU instituir o 22 de março como o Dia Mundial da Água, o Brasil se aproxima da aprovação pelo Legislativo da Política Nacional de Infraestrutura Hídrica, que busca assegurar o abastecimento de água à população brasileira. O projeto prevê instrumentos para a gestão integrada das bacias e a participação da iniciativa privada na construção e exploração de recursos hídricos. Segundo o Governo Federal, o setor vai demandar investimentos de R$ 40 bilhões até 2050, o que não será viável apenas com recursos públicos. Segundo o deputado federal Bosco Saraiva, do Solidariedade do Amazonas, o Congresso está analisando com cuidado o projeto.
“A reserva de água que nós temos na Amazônia, especialmente no Amazonas, com rios volumosos, são, sem dúvida nenhuma, uma riqueza do planeta. E nesse sentido o projeto do governo que institui a Política Nacional de Infraestrutura Hídrica prevê um investimento privado na exploração desses recursos. Nós haveremos de apreciar com muita acuidade a entrada desses recursos privados num patrimônio que é do Brasil, um patrimônio que é da humanidade”.
O diretor do Instituto Água Sustentável, Everton de Oliveira, explica que já existe uma necessidade muito grande de que se faça o uso sustentável da água.
“Nós usamos os recursos de forma insustentável por dois motivos. Um, porque nós usamos os recursos, trocamos ele de lugar, ou seja, eu pego a água de um determinado lugar e não necessariamente eu retorno para o mesmo lugar. E segundo que a gente usa a água e, ainda assim, nós degradamos. A qualidade melhor, da água original, fica piorada. Nós estamos tendo duas frentes, uma em quantidade, ou seja, na sua distribuição e localização, que é insustentável, e outra na sua qualidade”.
O projeto que institui a Política Nacional de Infraestrutura Hídrica é um dos 27 que tramitam apensados e, segundo a Câmara dos Deputados, todos serão analisados por uma comissão especial ainda a ser criada.
Por Luciano Marques

