“Todas às vezes que se discuti essas questões salariais e quando nós vamos para o embate com os governos, eles sempre colocam as questões políticas partidárias, mas a nossa política é a educação. Porque se não formos politizados, nós vamos ser engabelados por aqueles que nos dirigem”, é com essa declaração que o diretor da APLB Sindicato de Juazeiro, Gilmar Nery, dá um tapa de luva no discurso dos que asseguram que a mobilização dos professores é um movimento esquerdista. “Ninguém quer prejudicar o município, a educação é um direito conquistado há décadas e quer que seja cumprida a lei do piso, que há muito tempo vem sendo cumprida por gestões anteriores e essa gestão (Suzana Ramos), infelizmente não está cumprindo”, frisou.
Cansados de apelar pela sensibilidade da primeira mulher prefeita de Juazeiro, na manhã desta quinta-feira (24), Sindicato e professores viram os vereadores aprovarem o projeto de lei enviado pela gestão Suzana Ramos, que determina aumento de 26%, diferente do valor do Piso que é de 33,24%, indo de encontro aos anseios dos trabalhadores em educação.
Conforme a APLB, o sindicato fez o que pôde para travar um diálogo e chegar a um consenso com a secretária de educação Normeide Almeida e a prefeita Suzana Ramos, mas viu (falhar) qualquer tipo de acordo. “É uma situação muito trise o projeto ter sido aprovado sem respeitar os direitos dos professores, conquistados há muitos anos e a duras penas. Uma coisa é não querer dar o aumento, o que já foi dado é uma incoerência, uma arbitrariedade. A educação está de luto”, falou revoltada, a professora Carla Cunha.
“Vemos essa política tomar conta e decidir a nossa vida. As professoras estavam chorando, emocionadas com esse absurdo promovido pela prefeita Suzana Ramos. É a decepção que agora assola e escurece toda a esperança do trabalhador. Estamos juntos nessa luta e vamos prosseguir dando o recado que estamos em greve geral por tempo indeterminado”, afirmou o diretor da APLB Sindicato em Juazeiro, Gilmar Nery, que saiu junto com os professores presentes, em carreata até a Praça da Mônica onde houve mais uma concentração e de lá todos seguiram em caminhada para a SEDUC e o Paço.
Com dois caixões, a categoria colou os nomes da prefeita, da secretária de educação e dos vereadores que votaram contra os direitos dos professores. A intenção foi de forma simbólica realizar um cortejo fúnebre daqueles que representam a morte da educação do município. “Os vereadores não respeitam os professores e tratam o profissional que é um formador de opinião de forma destrutiva. Daremos o recado nas urnas. O que queremos é que a educação cresça nesse país”, ressaltou a professora Pedrina dos Santos.
Com mais de 30 anos de magistério o professor Rogério Maciel externou sua indignação diante do resultado da sessão. “Os vereadores que votaram contra os professores se escondem e zombam de todos nós com essa votação. Mas nós somos mais fortes que eles que um dia sairão da Câmara e não vão voltar. Já passei por várias gestões, mas nunca por uma tão ditatorial quanto essa. Não vamos abaixar a cabeça”.
Dos 21 vereadores, apenas 4 votaram a favor do reajuste integral e linear de 33,24% referentes ao piso nacional do magistério para os trabalhadores em educação da rede pública municipal de Juazeiro e da manutenção de direitos conquistados ao longo dos anos de luta da categoria e já garantidos por lei. Alex Tanury, Mitu, Renato Brandão e Assis da Apolo não se curvaram à determinação da prefeitura em aprovar o projeto com texto truncado e que retira dos professores direitos adquiridos e fixa o reajuste em 26%. Os vereadores Dr. Salvador, que precisou ir a Recife participar de um curso, votaria a favor dos professores e Neguinha da Santa Casa não participaram da sessão e os demais votaram contra os professores.
Gritando ‘Fora Normeide! Fora Suzana’, os trabalhadores em educação seguiram pelas ruas da cidade recebendo apoio da população ao longo da caminhada e de quem passava de carro ou moto. Uma parada foi realizada em frente a uma SEDUC de portas fechadas. No Paço Municipal, a situação foi a mesma onde guardas civis faziam a segurança do prédio. Os caixões foram colocados na porta do Paço e os professores realizaram mais uma manifestação. Agradecendo o apoio recebido pelos 4 vereadores e as entidades sindicais que andaram junto em todos os momentos, Gilmar Nery ressaltou que Juazeiro hoje tem uma gestão municipal onde a prefeita nunca aparece e a secretária de educação é inexpressiva.
“A educação está de luto. Acabaram com a carreira dos professores, mas nós somos fortes e resistentes. Teremos que colocar trabalhadores em educação na Câmara de Vereadores porque precisamos ser bem representados. A prefeita nunca sentou conosco para negociar porque não tem capacidade para resolver os problemas da sociedade. Nossa cidade está órfã de prefeito. As aulas ainda não iniciaram no governo Suzana Ramos que tem uma secretária incompetente. Os prefeitos estão se juntando para destruir a educação transformando remuneração em salário base, eles querem juntar todas as gratificações em um salário só e dizer que já paga muito. Precisamos nos alertar a partir de hoje. Estamos e continuaremos em greve geral”, finalizou o diretor da APLB Sindicato em Juazeiro, Gilmar Nery.
A sexta-feira (25) será de trabalhadores de braços cruzados em casa e na próxima segunda-feira (28) todos estarão juntos novamente em assembleia-geral no auditório da APLB às 9h para novas deliberações.
Com informações e foto: Ascom/APLB

