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Comunidade de Umbuzeiro, no Salitre, retoma tradição de festejo de maio

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Na lembrança das pessoas mais velhas o 31 de maio era dia de muita fé e festa na comunidade de Umbuzeiro, no Vale do Salitre, município de Juazeiro. Durante muitos anos, crianças, idosos e jovens tinham como certo o encerramento do novenário em louvor ao Sagrado Coração de Jesus e de Maria, tradição iniciada há mais de 100 anos, segundo relatos orais. Independente do dia da semana, a data sempre reunia centenas de pessoas para prestigiar a festa religiosa, seguida de leilões e forró.

Com o passar dos anos a tradição foi se modificando, a comunidade ganhou uma igreja maior, bancos e cadeiras em vez de esteiras para os fiéis sentarem, porém, o público foi diminuindo a cada ano. Com isso, em 2014, a novena de maio em Umbuzeiro deixou de ser realizada, para a tristeza de algumas pessoas.

Mas, para a alegria de tantas outras, este ano a comunidade retomou o festejo. Em vez de rezar os 31 dias do mês, como acontecia antes, foi realizado um Tríduo, com participação de outras comunidades vizinhas como noiteiras. Para o próximo ano já se planeja rezar nove noites, fazendo jus ao nome de novenário, como informa uma das organizadoras, Leidilene Ferreira.

Foi a iniciativa de rezar terços aos sábados e na quaresma e a vontade de ver a comunidade unida que inspirou Leidilene a realizar encontros aos domingos e assim as/os participantes discutirem a retomada da tradição de maio. “Eu estava sentindo muita falta de alguma coisa que motivasse a comunidade estar junta e graças a Deus deu certo”, comentou Leidilene. Seu irmão Roclei Ferreira, que mora do outro lado do rio, se animou a participar e ofereceu carona a pessoas de outras comunidades. Ele diz que seria um prazer ver esses festejos em todas comunidades e diz não medir esforços para participar.

Quem se sentiu atraída também em comparecer nas três noites de celebração foi Dona Teresa dos Santos, de 89 anos, hoje a moradora mais velha de Umbuzeiro. “Minha vontade pediu pra mim vim, gostei, achei bom. Sagrado coração de Maria tá muito contente e nós também”, disse ela ao ver o cortejo no encerramento do Tríduo entrar na igreja. Alegria também foi o que sentiu Elisabete Maria de Oliveira, moradora de Gangorra, uma das comunidades noiteiras dia 31. Ela que costumava frequentar a novena com sua família quando era criança, hoje participou com sua filha e irmãs e afirmou: “Foi muito bom, poder trazer uma cultura antiga para nossos filhos, netos, pessoas que não sabiam o que era isso”.

Já Joelma Batista, moradora da comunidade de Alfavaca, esteve participando pela primeira vez, mas contou que gostou muito de ter ido. Ao contrário de Joelma, a professora aposentada Maria Costa, da vizinha comunidade de Tapera, sempre acompanhou esta tradição católica e tem muita história para contar sobre o evento em anos anteriores. Feliz com a novidade este ano, ela não perdeu nenhuma noite e diz está disposta a ajudar para que todos os anos aconteça.

Uma novidade nesta retomada da tradição foi a realização de Quermesse nos três dias de celebração. As comunidades participantes doaram lanches para serem vendidos em prol da igreja, uma atividade que envolveu bastante a juventude e as crianças. No encerramento houve ainda sorteio de brindes e entrega de lembrancinhas, além da felicidade das pessoas ao final agradecidas com o sucesso da iniciativa e fazendo planos para o próximo ano.

Vale lembrar que a comunidade voltou a se reunir para atividades religiosas após a realização mensal de missas, uma ação da Diocese de Juazeiro a partir da Paróquia Santo Antônio. Essa prática era comum nas comunidades rurais durante o Bispado de Dom José Rodrigues, sendo deixada de lado após sua saída da Diocese e sendo retomada pelo atual Bispo, Dom Beto.

Umbuzeiro é a comunidade de origem do jogador Daniel Alves e sua vó Ana Silva (em memória) e sua tia Carlina Silva estiveram à frente dos festejos nos últimos 50 anos. Algumas décadas atrás seu pai Domingos Alves sempre realizava festas após o encerramento do novenário, o que foi lembrado com saudade por muitos salitreiros/as que se encontraram no último dia de Tríduo.

Por Érica Daiane Costa, salitreira, jornalista, professora, presidenta da União das Associações do Vale do Salitre (UAVS) e integrante do Coletivo Enxame.

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