Primeira edição pós-pandemia, evento não evoluiu no quesito tecnologia e o resultado? Vendedores e barraqueiros chateados e com prejuízos na comercialização via cartão e Pix.
Um dos eventos mais tradicionais do calendário junino de Petrolina, no sertão de Pernambuco, conseguiu manter a movimentação e a tradição em atrair visitantes e público local para celebrarem a preservação do jumento ou jegue, principal finalidade do radialista Carlos Augusto, ao criar a Jecana do Capim, hoje organizada apenas pela Prefeitura Municipal de Petrolina, com o apoio da Associação de Moradores da Comunidade.
Mesmo com tanta tradição, a organização falhou em alguns detalhes para tornar o momento da retomada do evento, satisfatório para todos. Durante a programação que começa logo no sábado e neste domingo, 12, foi o dia principal com a disputa na pista da corrida de jumentos mais famosa do Brasil, não se priorizou um fornecimento descente de ‘internet’ para o evento.
E os mais prejudicados com a falha num detalhe tão importante nos dias atuais, foram os vendedores ambulantes e barraqueiros que em alguns casos tiveram que voltar no tempo, anotar o nome e informações sobre o cliente em um caderno, como relataram à reportagem do Portal Tribuna Nordeste e do Blog JBrito Notícias. “Tivemos que confiar que eles pagariam a conta”, afirmaram.
A comercialização atual no pós-pandemia tem como forma de não ter contato com cédulas de papel ser feita usando a internet, via cartão magnético ou via Pix por meio dos aplicativos dos bancos, mas quem disse que o sinal do serviço funcionou como deveria na Jecana. Quem relata é Dona Lúcia que pagou R$ 50,00 para dispor do serviço que não vingou.
Lucia revelou que para estar no local e colocar sua barraca, pagou caro, mas não teve um retorno satisfatório no acesso à internet, gerando descontentamento e reclamação com os organizadores.
“Hoje não tive internet de jeito nenhum, só consegui até o final da tarde de ontem, sábado. Hoje (domingo) deixei de vender porque os clientes não tiveram como pagar. A gente espera que o ano que vem seja melhor”, contou a comerciante.
Outro vendedor do evento também demonstrou insatisfação com essa situação. Foi o barraqueiro Delmilson Carvalho que relata ter tido pelo menos uns 20% de prejuízo sem o funcionamento adequado da internet na Jecana.
“Infelizmente, um evento de grande porte como esse, a empresa de fornecimento de internet deixou a desejar. A gente aqui tinha que procurar uma barraca que conseguia ter um acesso melhor. Tivemos que confiar no cliente que não teve como pagar e voltar no outro dia para quitar sua conta. Esse pessoal de fornecimento de internet deixou a desejar desde o primeiro dia”, reclamou o comerciante.
Distante de Petrolina cerca de 35 Km, o povoado do Capim realmente não dispõe do serviço de telefonia móvel que funcione a contento e o provedor da internet não funcionou como deveria. A deputada Dulci Amorim, do PT, que esteve no evento prestigiando a tradicional Jecana, acompanhada do ex-deputado Odacy Amorim, também petista, ambos pré-candidatos, ela à deputada federal e o ex-prefeito Odacy ao retorno à Assembleia Legislativa de Pernambuco, ouviram dos comerciantes a mesma reclamação sobre o problema da internet para facilitar o pagamento nas barracas em nos vendedores ambulantes.
“Após dois anos de pandemia, a gente percebe que as pessoas realmente estão voltando as suas atividades normais e a gente viu que o povo aderiu em vir ao Capim. O que a gente sentiu muito foi não sentir realmente o apoio integral por parte da Prefeitura na questão dos comerciantes que vieram aqui venderam aqui para vender alguma coisa pra ter uma renda extra. As reclamações foram muitas sem uma internet de qualidade, e hoje sabemos que a questão da comercialização se dá ou via cartão ou via PIX, então eles se sentiram prejudicados neste sentido”, relatou a parlamentar que classifica, tirando esse problema do serviço de internet, como positivo.
“O evento manteve sua tradição como teria que ser desde que Carlos Augusto criou a Jecana que hoje é patrimônio imaterial de Pernambuco e integra a rota turística do estado. Mas o que a gente puder fazer, inclusive nesta questão da internet, a gente se compromete de buscar para o próximo ano os comerciantes atenderem melhor essa demanda dos visitantes. Outra coisa que lamentamos é que hoje praticamente não se falou no nome do idealizador da Jecana, o nosso amigo Carlos Augusto. Vários moradores do Capim reclamaram com a gente que hoje não está sendo lembrado como deveria quem fez com que esse evento existisse”, declarou Dulci Amorim.
Odacy Amorim que era amigo de Carlos Augusto, também fez esse registro em se querer tirar o nome de Carlos Augusto da Jecana.
“Eu fui o prefeito que viabilizou a construção da estrada do Capim como foi a de Uruás. Eu vim com Carlos Augusto aqui dá adeus a estrada de terra. Isso e história Mas percebi que as pessoas que organizam têm a preocupação de não se deixar falar o nome de Carlos Augusto”, lamentou Odacy que também fez a defesa das pessoas que vêm gerar renda, pagam caro, mas poucos lucram com esses eventos nos dias atuais em Petrolina.
“Eu acho que a Prefeitura deveria fazer autocrítica sobre isso. Já há algum tempo que os eventos de Petrolina são lucrativos para poucos e a Prefeitura deveria rever isso. Se cobra caro para estar no evento e caro para adquirir o produto de suas vendas, porque existe o monopólio de marcas. Alguém está ganhando muito dinheiro, mas o lucro vem para pouco. O evento tem seu brilho, é importante. Eu tenho essa defesa da espécie que merece toda dignidade e representa muito para o Nordeste”, concluiu o ex-deputado Odacy Amorim.
Deixamos o espaço aberto para os devidos esclarecimentos dos organizadores da Jecana 2022.
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Texto: (Cinara Maques, redação Tribuna Nordeste)
Fotos e Vídeos: (Jean Brito, redação Jbrito Notícias

