Na sexta-feira, 28 de junho, data em que se celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), por meio da Comissão para a Promoção de Igualdade e Políticas Afirmativas em Questões de Gênero e Orientação Sexual (Cogen), encerrou a programação da 1ª Semana de Promoção e Defesa dos Direitos da População LGBTQIAPN+: Produzindo Vida e Celebrando Direitos, na sede do Tribunal, em Salvador.
A programação do último dia aconteceu no Espaço Xica Manicongo, criado especialmente para o evento, com vistas a homenagear a primeira travesti não indígena do Brasil, localizado na Praça de Serviços do TJBA. Pela manhã, houve o lançamento de livros de autores LGBTQIAPN+ e um bate-papo mediado pela Presidente em exercício da Cogen, a Juíza Maria Angélica Alves Matos.
Participou do lançamento e do bate-papo a escritora Mariana Paim, com o livro “Lugar Comum” que reúne a produção poética da escritora. Para ela, “é muito importante ocupar esses espaços e visibilizar nossas pautas”.
Também participou a pesquisadora e ativista travesti Tiffany Odara, com o livro “Pedagogia da Desobediência: travestilizando a educação”, resultado de sua pesquisa. “Fazer essas trocas e contemplar todas as pessoas, aqui, presentes é de muita importância. Lembrando de Lélia Gonzalez, que a luta se dá de forma coletiva”, ressaltou a autora. O curador da mostra artística, Bruno Santana, participou lançando algumas obras de sua autoria e/ou organização como “Transmasculinidades Negras: narrativas plurais em primeira pessoa” e ressaltou que esse é um momento de conquista e produção de memória viva. “Ocupar esse lugar é sobre reparação e democracia, esse espaço deve acolher todas as pessoas e celebrarmos os nossos”, ressaltou o ativista.
Após o lançamento e o bate-papo, ocorreu uma série de apresentações artísticas com uma programação que incluiu a performance de Sued Hosaná, apresentações musicais de Arthur Miguel e Neo, leituras poéticas de Mariana Paim e Kuma França e um pocket show do grupo Transbatukada. O objetivo da curadoria é “sair do lugar de dor e sofrimento, que estigmatiza a comunidade, e celebrar a arte LGBTQIAPN+”. Ao final das apresentações, os membros da Cogen se reuniram para discutir o evento e planejar ações futuras da Comissão.
Pela tarde, aconteceram os Encontros Circulares AMPARE Cine Debate, com a exibição do documentário “Homens Invisíveis”, que mostra a vida de pessoas trans masculinas negras em presídios. Bruno Santana, mediador, externou: “para mim, isso tudo precisa ser naturalizado, não só em junho, mas também todos os dias, que pessoas LGBTQIAPN+ estejam presentes no Judiciário, aproximando esse ambiente da diversidade e que ela seja vista como potência e não como ameaça”.

