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Jovens de Santo Antônio de Jesus apontam preconceito racial como barreira à inclusão

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Dados coletados pelo Projeto Compartilhando Direito, promovido pelo Instituto Nelson Wilians (INW), revelam que os jovens de Santo Antônio de Jesus, na Bahia, participantes do projeto têm clara percepção sobre os principais motivos de discriminação na cidade. De acordo com o levantamento, 47% dos depoentes relataram como razão para discriminação pessoas serem pardas, pretas e indígenas, refletindo o impacto do racismo estrutural no território.

Outros 28% apontam a LGBTQIAP+fobia como um dos principais fatores de exclusão social, reforçando a necessidade de políticas de proteção e inclusão. Além disso, 24% identificam a segregação territorial, indicando que o local de moradia ainda é um fator de exclusão e desigualdade.

Para 28%, a educação é considerada essencial para o desenvolvimento e a garantia de direitos. A formação para o mercado de trabalho é destacada por 25% dos jovens, refletindo a importância da capacitação para a inclusão produtiva. A saúde, com 24%, também é vista como prioridade, com a necessidade de acesso a serviços médicos e suporte psicossocial. Por fim, 21% dos jovens reivindicam trabalho digno, evidenciando a preocupação com empregabilidade e condições justas no mundo do trabalho.

Compartilhando Direito, que visa disseminar conhecimento sobre os direitos dos cidadãos, com foco nas juventudes, utiliza metodologia própria de educação para a cidadania. O projeto foi realizado com jovens de Santo Antônio de Jesus em 2024 e tem como objetivo transformar a realidade das comunidades participantes, promovendo a conscientização cidadã.

O projeto foi lançado em 2018 e é premiado com o Selo de Direitos Humanos e Diversidade da Prefeitura de São Paulo. Trata-se de iniciativa do INW, organização social sem fins lucrativos que trabalha pela democratização de oportunidades e pela redução das desigualdades sociais.

Os dados do relatório demonstram a capacidade dos jovens de compreender os desafios que enfrentam e de apontar soluções para melhorar suas condições de vida. “A falta de acesso à segurança, educação e oportunidades de trabalho compromete a inclusão social e produtiva, criando obstáculos à permanência na escola e à qualificação profissional”, ressalta Anne Wilians, fundadora do INW.

Os dados mostram, ainda, que os jovens de Santo Antônio de Jesus identificam espaços democráticos importantes para sua participação política e social. A Câmara Municipal é reconhecida como local de participação política e fiscalização de programas públicos. A prefeitura é vista centro de articulação e decisão sobre investimentos e programas sociais. A Secretaria de Educação é considerada crucial para garantir acesso a um ensino de qualidade e políticas educacionais inclusivas.

As escolas são apontadas como espaços para formação, debate e desenvolvimento de uma consciência cidadã. A Praça Padre Mateus é reconhecida como um ponto de encontro, lazer e mobilização social. O CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) é destacado como um importante local para acesso a direitos, serviços sociais e suporte a populações vulneráveis.

A alta taxa de discriminação racial identificada pelos jovens reflete o cenário de desigualdade e marginalização dessas populações, que se intensifica em regiões onde o racismo estrutural ainda é uma realidade. “As juventudes seguem expostas a situações de violência que não podem ser naturalizadas. É preciso garantir espaços seguros, políticas públicas efetivas e, acima de tudo, respeito à dignidade dessas vidas”, ressalta a fundadora do INW.

O levantamento feito pela entidade em Santo Antônio de Jesus é congruente, no recorte da educação, com o fato de que 82% dos jovens da Bahia não estão na faculdade, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua / IBGE. O problema deve-se à falta de renda como obstáculo à permanência dos jovens no Ensino Superior e reforça a correlação entre desigualdade social, ensino e mercado de trabalho.

Para Anne Wilians, os resultados do relatório traduzem muito mais do que números. “Quando jovens apontam com clareza as formas de discriminação que vivenciam e articulam suas demandas a partir disso, vemos o quanto o acesso à informação e ao diálogo qualificado fortalece sua autonomia. O nosso compromisso é seguir criando espaços em que essa consciência se traduza em ação e protagonismo”, conclui.

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