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Adultização invisível: como o exemplo dos adultos pressiona crianças a crescer antes da hora

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O fenômeno da adultização, quando crianças e adolescentes assumem responsabilidades e comportamentos para os quais ainda não estão prontos, tem se intensificado de forma silenciosa. A psicóloga Roberta Passos alerta que esse processo pode prejudicar autoestima, gerar ansiedade e comprometer o desenvolvimento emocional e social.

“A adultização acontece quando exigimos de crianças e adolescentes responsabilidades e comportamentos para os quais ainda não estão prontos. Isso pode prejudicar a autoestima, gerar ansiedade e comprometer o desenvolvimento emocional e social. É fundamental que respeitemos o tempo de cada fase da vida: criança precisa ser criança, adolescente precisa ser adolescente. Só assim garantimos um crescimento saudável e equilibrado”, afirma Roberta Passos.

Um exemplo atual: o comportamento digital dos pais. Quando adultos compartilham sua rotina em redes sociais com frequência — selfies, vida em vitrine, busca constante por curtidas — as crianças internalizam regras adultas de exposição e validação social.

“A criança aprende muito mais pelo que vê do que pelo que escuta. Se o modelo que ela tem em casa é de exposição constante, é natural que passe a querer fazer o mesmo. O problema é que, nesse processo, ela internaliza expectativas adultas de validação, estética e comportamento, deixando de viver etapas fundamentais da infância, como brincar, experimentar e errar”, complementa Roberta.

As consequências são reais: crianças podem se sentir pressionadas a corresponder a padrões irreais, o que provoca sobrecarga mental, ansiedade, baixa autoestima e, em casos mais graves, depressão.

Para os especialistas, a conscientização é o primeiro passo, mas não o único. É preciso construir proteção real, com o envolvimento da família, da comunidade e de políticas públicas. Esse movimento já chega ao debate legislativo: nesta semana, a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para o chamado “PL da Adultização” (PL 2.628/2022), que prevê controle parental obrigatório, limitações à publicidade infantil e mecanismos de verificação de idade nas plataformas.

“Conscientizar é fundamental, mas não resolve sozinho. O próximo passo é criar espaços de diálogo dentro da família, onde a criança possa se expressar sem medo de julgamento. Também é essencial fortalecer vínculos, valorizar o brincar e oferecer experiências próprias da infância. Quando a sociedade como um todo — família, escola, comunidade — protege esse direito, a criança cresce mais segura, confiante e preparada para enfrentar a vida adulta no tempo certo”, conclui Roberta.

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