InícioBLOCO 1Estudo inédito revela que desenvolvimento de professores não é linear e varia...

Estudo inédito revela que desenvolvimento de professores não é linear e varia conforme idade e tempo de carreira

Autor

Data

Categoria

Pesquisa do Instituto Ayrton Senna (IAS) com 43 mil docentes mostra que competências socioemocionais e instrucionais evoluem em ritmos diferentes ao longo da vida profissional//

No Dia dos Professores, o debate costuma girar em torno de homenagens e reconhecimento. Mas um novo estudo conduzido pelo Instituto Ayrton Senna (IAS) traz evidências que ajudam a compreender o desenvolvimento da docência sob um ângulo científico.

Realizada pelo laboratório de ciência para a educação do Instituto, em parceria com a Cátedra do eduLab21 na Universidade de Ghent (Bélgica), a pesquisa foi publicada na revista internacional Teaching and Teacher Education e analisou respostas de 43 mil professores da rede pública brasileira. O artigo, assinado por pesquisadores do Brasil, Bélgica e Estados Unidos, mostra que o desenvolvimento docente não acontece de forma linear, contrariando a ideia de que basta acumular anos de experiência para melhorar na profissão.

Intitulado “Mais do que apenas experiência? Efeitos dos anos de docência, idade e gênero nas características socioemocionais e instrucionais de professores”, o estudo aponta que metade das competências tende a evoluir com a experiência, como comunicação e apresentação, enquanto outras declinam com o tempo, como a resiliência ao estresse.

Nos primeiros dez anos de carreira, docentes costumam aprimorar habilidades de expressão e gestão de sala de aula, mas, após esse período, essas competências se estabilizam. Já a resiliência ao estresse cresce com a idade, embora diminua após muitos anos de docência. Diferenças de gênero também chamam atenção: professoras relatam níveis mais altos de empatia e conexão com os alunos, enquanto os professores mais jovens mostram maior otimismo quanto ao potencial de aprendizado dos estudantes.

IMG 1325 1

“Repensar a formação e o cuidado com os docentes ao longo da carreira, considerando suas próprias características e diferentes desafios que eles enfrentam ao longo do tempo, é essencial para garantir que eles tenham não apenas o preparo técnico, mas também o suporte emocional e institucional necessário para seguirem inspirando gerações.”, afirma Gisele Alves, gerente-executiva do eduLab21 do Instituto Ayrton Senna.

O estudo é o primeiro a examinar 19 características socioemocionais e instrucionais de forma integrada, e seus resultados ajudam a desenhar novas estratégias de apoio à formação e ao bem-estar docente. As conclusões se somam a dados do 14º Mapa do Ensino Superior (Semesp, 2024), que revelou que 79% dos professores brasileiros já pensaram em deixar a profissão, citando baixos salários, sobrecarga e falta de reconhecimento.

Gisele comenta que “essas descobertas oferecem evidências concretas para orientar políticas públicas e programas de formação continuada mais eficazes. Nosso compromisso, no Instituto Ayrton Senna, é transformar conhecimento científico em práticas que fortaleçam professores e promovam o desenvolvimento integral dos estudantes.”

Os pesquisadores destacam que os resultados abrem caminho para repensar a formação e a valorização docente. Estratégias de formação contínua diferenciada, voltadas aos diferentes estágios da carreira, e políticas de apoio à resiliência emocional aparecem como prioridades para garantir o bem-estar dos professores — especialmente em um contexto de escassez de profissionais e aumento dos transtornos relacionados ao estresse.

A pesquisa contribui para o debate global sobre a docência e reforça a importância de incluir, nos programas de formação, o desenvolvimento das competências socioemocionais não apenas dos estudantes, mas também dos educadores.

Postagens Mais Vistas