Por Marcelo Damasceno/Petrolina PE//
Há 4 anos, a mesma empresa de decoração natalina vence a difícil e contestada licitação para a decoração de Natal de Petrolina, no Sertão pernambucano. São contratos milionários, com poucos questionamentos por parte do Legislativo. Mesmo com sugestões valiosas da sociedade civil, que incluem artistas plásticos, artesãos e profissionais especializados em decoração festiva para qualquer evento do calendário, o governo de Simão Filho optou por entregar a ornamentação natalina a um processo licitatório que gera suspeições, dada a repetição do mesmo ganhador ao longo dos anos. Para este Natal de 2025, as despesas com o “Papai Noel” chegam a impressionantes R$ 4.600.000,00.
E o conjunto de parlamentares? Nenhuma manifestação para contestar um gasto desse porte com uma decoração que, no semiárido e sua caatinga, lembra mais o Natal nevado e distante dos poderosos Estados Unidos. Ao olhar, fica a impressão de que estamos em sintonia com “Tio Sam” e sua invenção capitalista do velhinho barbudo vestido a caráter, com seu trenó e animais amestrados.
Ora, aqui é Petrolina, rica em sua superfície banhada pelo poderoso Rio São Francisco e adornada pela beleza única do bioma da caatinga, com todas as manifestações esplendorosas de sua fauna e flora. E, vale lembrar, já temos Ranilson Viana, o maior escultor e artista plástico de reconhecimento nacional e internacional, nascido neste município, que se destaca com suas obras e sua contribuição para a cultura regional. Petrolina é hoje um ícone, uma referência artística reconhecida nas redes sociais e pelas imagens incontestáveis que circulam por aí.
Além disso, temos muitas outras pessoas capazes de movimentar esses milhões de reais dentro da economia local. O governo de Simão Filho (UNIÃO) está perdendo uma oportunidade de se explicar sobre esse Natal com cara americana, em um sertão árido e combativo, onde as memórias de beatos e cangaceiros ainda ecoam, e onde tantos meninos lembram o pobre Jesus na manjedoura, com a pobreza expressa de José e Maria em uma Belém Efrata que nos remete, solenemente, aos nossos povoados nordestinos. Um Natal genuinamente sertanejo.

