O novo salto no preço dos combustíveis voltou a pesar no bolso do consumidor e reacendeu um velho problema: a dificuldade do poder público em conter aumentos considerados abusivos. Em alguns postos, a gasolina já saiu de R$ 6,35 para R$ 7,79 em poucos dias, com projeções que apontam para até R$ 10 até o meio do ano.
Diante da repercussão, o Governo do Brasil anunciou a criação de um plantão para apoiar Procons e intensificar a fiscalização em todo o país. A medida foi discutida em reunião com cerca de 200 órgãos estaduais e municipais de defesa do consumidor.
A coordenação ficará a cargo da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), que promete dar suporte técnico e acelerar a abertura de processos contra distribuidoras. O plantão começa a funcionar nesta quarta-feira (25) e deve atender os mais de 1.300 Procons do país.
O problema é que esse tipo de mobilização não é novidade — e os resultados, até aqui, são questionáveis.
Apesar das operações conjuntas envolvendo Senacon, Secretaria Nacional de Segurança Pública, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e Polícia Federal, aumentos bruscos continuam sendo registrados com frequência, muitas vezes sem explicação clara ao consumidor.
Dados recentes apontam que 1.880 postos já foram fiscalizados, com 115 notificações emitidas. O número, no entanto, levanta outra dúvida: quantas dessas ações resultaram, de fato, em punição ou redução de preços?
Na prática, o consumidor segue exposto a reajustes rápidos, enquanto processos administrativos costumam se arrastar sem desfecho imediato. A falta de transparência sobre custos, margens de lucro e formação de preços também contribui para um cenário de desconfiança.
Especialistas apontam que, sem fiscalização contínua e penalidades efetivas, medidas emergenciais tendem a ter impacto limitado.
Enquanto isso, o brasileiro segue pagando mais caro e esperando que, desta vez, a reação do governo vá além do anúncio e chegue, de fato, à bomba de combustível.
Da redação,
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

