A categoria envelheceu, a renovação não veio na mesma velocidade e quem chega novo na profissão não está encontrando motivos pra ficar. O setor começa a sentir o peso disso nas operações.
Caminhão parado costumava significar mercado fraco. Hoje, cada vez mais, significa falta de motorista. Levantamento da NTC&Logística mostra que 88% das empresas de transporte do país enfrentam dificuldade para contratar caminhoneiros e motoristas agregados. Em muitos casos, os veículos ficam na garagem simplesmente porque não há quem os coloque na estrada.
O problema tem raiz funda. A categoria envelheceu, o número de habilitados para veículos pesados caiu de forma significativa na última década, segundo a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), e a geração mais jovem não está correndo para preencher esse espaço.
“Antes, caminhão parado normalmente era sinal de mercado fraco. Hoje, muitas vezes, falta motorista para colocar o veículo na estrada. O setor envelheceu e a renovação não aconteceu na mesma velocidade. Muita gente nova simplesmente não quer mais essa rotina.”, destacou José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sinaceg
Monitoramento 24 horas também pesa
Além das jornadas longas e do desgaste nas estradas, há outro fator que tem afastado profissionais: o monitoramento embarcado nos caminhões. Câmeras internas, rastreamento e acompanhamento em tempo real criaram um clima que parte dos motoristas descreve como sufocante.
“O caminhoneiro sempre trabalhou sob pressão, mas a sensação hoje é diferente. Tem motorista que passa o dia inteiro sendo monitorado dentro da cabine. Isso pesa, principalmente porque cria um clima de tensão. Ao mesmo tempo, quem está chegando encontra pouca atratividade na profissão.”enumerou Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg.
Uma escola de motoristas como saída
O setor reconhece que algumas exigências, como o exame toxicológico, ajudaram a reduzir acidentes graves nas rodovias. Mas a preocupação agora é outra: evitar que a escassez de profissionais comece a afetar a logística e o abastecimento no país.
Uma das respostas que o Sinaceg estuda é a criação de uma escola de motoristas para caminhão — projeto que já tomou a atenção da diretoria da entidade e pode ser um caminho para renovar a categoria antes que o problema se aprofunde ainda mais.
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Fonte: Milka Verissimo

