InícioSaúdeDoar sangue: um gesto simples que salva vidas e transforma histórias

Doar sangue: um gesto simples que salva vidas e transforma histórias

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Doar sangue é um ato de solidariedade capaz de salvar vidas diariamente. Em todo o país, milhares de pessoas dependem de transfusões para tratamentos, cirurgias, acidentes e diversas condições de saúde. Neste mês de Junho Vermelho, campanha nacional de incentivo à doação de sangue, histórias de doadores e pacientes reforçam a importância desse gesto.

Há mais de 15 anos, Diego Lima, de 36 anos, mantém o hábito de doar sangue regularmente. Doador do Banco de Sangue do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), ele considera a prática uma forma simples de ajudar o próximo.

“É a forma mais simples e segura de ser um herói e impactar positivamente o mundo”, afirma.

A primeira doação aconteceu em 2009, durante um trote solidário no curso de Farmácia da Universidade Federal do Paraná. O que começou como uma atividade acadêmica tornou-se um compromisso permanente. Desde 2015, Diego também doa plaquetas, um componente essencial para pacientes transplantados, queimados e pessoas submetidas a cirurgias.

Outra história de solidariedade é a de Carlos Roberto de Abreu, de 57 anos. Ele começou a doar sangue em 2002, após precisar de transfusões em decorrência de um acidente.

“Senti que precisava retribuir o que fizeram por mim”, relata.

Dois anos depois, passou a doar plaquetas regularmente e segue contribuindo para manter os estoques dos bancos de sangue.

Doação garantiu cirurgia de paciente de 98 anos

No Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf), em Petrolina, a doação de sangue foi decisiva para o tratamento de Aciole Salustiano, de 98 anos.

O paciente precisava passar por uma cirurgia para correção de uma fratura de fêmur, mas aguardava a disponibilidade de bolsas de sangue do tipo Rh negativo. Com os estoques zerados, familiares e amigos foram mobilizados para realizar doações.

Segundo Nathália Coelho, enfermeira da Unidade de Hemoterapia do HU-Univasf, a mobilização permitiu a realização da transfusão e da cirurgia.

“Hoje seu Aciole está em casa cercado de amor e cuidado”, destacou.

Não existe substituto para o sangue

De acordo com o Ministério da Saúde, não há substituto para o sangue humano. Por isso, a doação regular é fundamental para o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Cada bolsa coletada pode beneficiar até quatro pessoas, já que o sangue é separado em diferentes componentes, como hemácias, plaquetas e plasma, utilizados em diversos tratamentos.

A hematologista Lenisa Albanske Raboni, do CHC-UFPR, explica que o sangue é indispensável em situações de urgência e emergência, acidentes graves, cirurgias de alta complexidade, transplantes, tratamentos oncológicos e doenças hematológicas.

Junho Vermelho reforça importância da doação

Criada para conscientizar a população, a campanha Junho Vermelho busca estimular a doação de sangue e ajudar a manter os estoques dos hemocentros.

Durante o inverno, os bancos de sangue costumam registrar queda no número de doadores devido ao aumento de casos de gripes e doenças respiratórias, o que pode impedir temporariamente a doação.

O hematologista Daniel Salas, do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), destaca que ainda existem muitos mitos sobre o procedimento.

Segundo ele, doar sangue não engorda, não emagrece, não transmite doenças e não causa fraqueza prolongada. Todo o processo é realizado com materiais descartáveis, esterilizados e seguindo rígidos protocolos de segurança.

Quem pode doar sangue?

Para ser doador é necessário:

  • Ter entre 16 e 69 anos (a primeira doação deve ocorrer até os 60 anos);
  • Menores de 18 anos precisam de autorização do responsável legal;
  • Pesar mais de 50 quilos;
  • Estar em boas condições de saúde;
  • Não consumir bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação;
  • Apresentar documento oficial com foto;
  • Estar alimentado, evitando alimentos gordurosos nas três horas anteriores à coleta.

A doação de sangue é rápida, segura e continua sendo uma das formas mais eficazes de salvar vidas e oferecer esperança a quem mais precisa.

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