Em meio a pré-campanha para disputa das eleições 2026 em Pernambuco, a Justiça Eleitoral identificou “séria suspeita de irregularidade” na campanha publicitária: “Faz gosto mostrar pro mundo”, veiculada pela Prefeitura do Recife como propaganda turística. O caso chegou ao tribunal por meio de uma ação do PSD, que acusa a gestão municipal de usar dinheiro público pra promover a candidatura de João Campos (PSB) ao governo do estado.
O desembargador Fernando Braga Damasceno concordou com a desconfiança. Segundo ele, chama atenção que a campanha destaque obras da gestão, como “Nova orla”, “4 novas pontes”, “6 novos parques” e “120 novas praças”, justamente quando o período eleitoral se aproxima. Se fosse turismo de verdade, o material teria aparecido em capitais vizinhas como João Pessoa, Maceió e Natal, que são mercados emissores importantes. A propaganda ficou restrita a Pernambuco, o que levantou a suspeita de que o objetivo real era fazer publicidade institucional numa época em que isso é proibido.
Com base nisso, o TRE-PE deu cinco dias para a Prefeitura e a Secretaria de Turismo e Lazer apresentarem tudo: processos administrativos, contratos, aditivos, planos de mídia, empresas contratadas, cidades onde a campanha rodou, peças publicitárias, períodos de exibição, estudos de público, justificativas de mercado, pagamentos, notas fiscais, suplementações no orçamento e os nomes dos servidores responsáveis.
O tribunal também mandou preservar todos os documentos, e-mails, mensagens, vídeos, fotos, arquivos originais e metadados ligados à campanha.
A retirada da publicidade do ar ainda não foi decidida. O pedido vai ser reavaliado depois que os documentos chegarem, os envolvidos se defenderem e a Procuradoria Regional Eleitoral se manifestar.
