Pela segunda vez neste ano, o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o ONS, precisou intervir na rede para evitar problemas técnicos. A medida foi necessária devido a um volume de energia superior ao que o mercado estava consumindo no momento.
A ação ocorreu durante este domingo, entre as 11h e as 13h30, focando especificamente na redução da produção de usinas conectadas às redes de distribuição. O objetivo principal é garantir a segurança do Sistema Interligado Nacional, evitando qualquer risco de interrupção no fornecimento.
Conforme informações divulgadas pelo ONS, essa estratégia não gera impacto direto na conta de luz dos consumidores, sendo uma manobra técnica que afeta apenas as distribuidoras de energia, conforme detalhado nas fontes oficiais do setor.
Como funciona a restrição da geração de energia
O plano emergencial foca nas chamadas usinas Tipo 3, que são conectadas diretamente às redes de distribuição. Esse grupo inclui pequenas centrais hidrelétricas, conhecidas como PCHs, além de usinas a biomassa e projetos de geração eólica e solar de menor porte.
Além disso, o órgão adotou medidas complementares para reduzir a produção de usinas que estão sob seu controle direto. A medida é uma resposta ao avanço rápido da geração distribuída, que é composta majoritariamente por painéis solares instalados em telhados e pequenas usinas locais.
O crescimento da energia solar e os desafios operacionais
O primeiro acionamento desse protocolo em 2026 aconteceu no feriado de Corpus Christi, em 7 de junho. Naquela data, o ONS precisou gerenciar cerca de 1 mil megawatts para equilibrar a rede. O plano foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, ainda em 2025.
Um dos momentos mais críticos ocorreu em agosto de 2025, quando o excesso de energia quase causou uma sobrecarga. Naquele dia, a geração distribuída representou 37,6% da demanda nacional, forçando o operador a cortar 98,5% da geração eólica e solar centralizada para impedir um blecaute.
O futuro com o corte automático de energia
Para lidar com a complexidade do setor, o ONS prepara o Esquema Regional de Alívio de Geração, ou Erag. Esse sistema automatizado permitirá o desligamento de parte da geração distribuída em situações críticas, com capacidade de corte de até 3 gigawatts.
A expectativa é que um projeto piloto seja realizado até o final de 2026. Atualmente, a geração distribuída no Brasil já soma cerca de 50 gigawatts de capacidade instalada, o que torna o controle operacional um desafio constante para os técnicos do sistema elétrico.
A posição das distribuidoras sobre as medidas
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, a Abradee, confirmou que as empresas seguirão as orientações do ONS. No entanto, a entidade reforçou a necessidade de procedimentos mais claros e detalhados para a execução desses cortes.
Segundo a Abradee, a definição de critérios precisos é fundamental para garantir tanto a segurança operacional quanto a segurança jurídica dos geradores envolvidos. O setor busca um equilíbrio para que o crescimento das energias renováveis continue sem colocar em risco a estabilidade do Brasil.
