O desabamento de um edifício em fase de construção, ocorrido na madrugada desse sábado, 12, na Rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo, resultou em uma tragédia com vítimas fatais e feridos. O prefeito Ricardo Nunes, em declaração sobre o caso, afirmou que a Polícia Civil foi acionada para efetuar a prisão dos donos da construtora responsável pela obra.
A estrutura, que caiu sobre uma residência vizinha, já era alvo de monitoramento pela Prefeitura há anos devido a irregularidades documentais e falta de alvará. O caso agora ganha contornos criminais, conforme informações divulgadas pelo portal Metrópoles.
A seguir, entenda os detalhes da investigação, as falhas apontadas pela gestão municipal e o drama vivido pelas famílias atingidas pelo desmoronamento na capital paulista.
Irregularidades e descumprimento de ordem de demolição
Segundo o prefeito Ricardo Nunes, os responsáveis pela obra são pai e filho, sendo que o filho atuava como o engenheiro tecnicamente responsável pelo projeto. A prefeitura alega que, em 2019, a obra foi interditada por falta de autorização legal e, em 2021, o município recorreu à Justiça para impedir o avanço da construção.
A situação se agravou porque uma decisão judicial condicionou qualquer nova construção à demolição total da estrutura antiga, o que não foi cumprido. Nunes afirmou que, se o advogado dos proprietários admitiu que a demolição nunca ocorreu, ele acabou de fazer uma confissão de um crime, reforçando a necessidade de responsabilização imediata dos envolvidos.
Investigação sobre documento falso na Subprefeitura
Um ponto central da investigação é um documento assinado em fevereiro de 2024 por uma funcionária da Subprefeitura da Penha, que atestava que a demolição havia sido efetuada em sua integralidade. O prefeito Ricardo Nunes declarou que, se esse documento for falso, a pessoa responsável também responderá civil e criminalmente pelo ato.
Diante da contradição entre o laudo oficial e a realidade observada no terreno, a Controladoria-Geral do Município foi acionada. O objetivo é verificar se houve erro técnico na vistoria ou se houve má-fé na emissão do documento que permitiu a continuidade da obra irregular.
Resgate e cenário de destruição
O desabamento, registrado por câmeras de segurança por volta das 2h da manhã, deixou duas mulheres mortas, sendo uma delas grávida. Outras duas pessoas, um homem de 30 anos e uma criança de 7 anos, foram resgatadas com vida. Equipes do Corpo de Bombeiros, com cerca de 60 profissionais e cães de busca, trabalham incansavelmente no local.
Até o início da tarde, quatro pessoas, incluindo uma criança e um casal, ainda permaneciam sob os escombros. A defesa da construtora New Home, por meio do advogado Alexandre Sampi, sustentou que a construção estava regular e que o embargo anterior havia sido cassado, apresentando uma versão que entra em conflito direto com as informações fornecidas pela Prefeitura de São Paulo.
Impacto na comunidade e busca por justiça
O sentimento entre os moradores e familiares das vítimas é de indignação. Herbert Chino, pai de uma das crianças resgatadas, acompanhou o trabalho de busca por sua outra filha e sua esposa, clamando por justiça diante da tragédia. O caso segue sob apuração rigorosa da Polícia Civil, que busca determinar todas as circunstâncias que levaram ao colapso da edificação.
A Defesa Civil permanece no local para avaliar os riscos remanescentes e auxiliar no trabalho de remoção dos escombros. Enquanto isso, a Prefeitura de São Paulo reforça que a prioridade é o resgate das vítimas e a punição exemplar dos responsáveis pela construção ilegal que resultou na perda de vidas na Penha.
—
Com informações do Metrópoles.
