A combinação entre geração renovável abundante e localização geográfica estratégica coloca a região Nordeste em posição de destaque na disputa global por infraestrutura computacional. O potencial não se restringe a abastecer a demanda brasileira: a região desponta com capacidade para fornecer processamento de dados a parceiros de toda a América Latina e do Sul Global, alinhando a expansão da economia digital com os compromissos de descarbonização.
Incentivos fiscais impulsionam novos investimentos
Para atrair investidores que buscam estabilidade regulatória, conectividade veloz e custos competitivos, o governo federal sancionou o Redata. O programa desonera integralmente tributos incidentes na aquisição e importação de componentes tecnológicos para infraestrutura de processamento, gerando uma renúncia fiscal estimada em R$ 7,5 bilhões ao longo de três anos. Em contrapartida, as instalações beneficiadas são obrigadas a operar prioritariamente com matrizes sustentáveis ou de baixo carbono.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou a importância de equilibrar a atração de capital com o desenvolvimento do mercado interno:
“Esse é um projeto construído com o setor produtivo. Era uma barreira de entrada essa questão dos custos de importação de equipamentos. O que queremos também é ampliar a indústria nacional com incentivos adicionais para que ela também possa melhorar e fazer suas inovações, para que possamos competir de igual para igual [com competidores internacionais]”, afirmou Siqueira Filho.
O ecossistema conta ainda com o suporte de linhas de financiamento públicas. O Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) viabilizou R$ 3,5 bilhões em crédito por meio do BNDES, dos quais R$ 474 milhões foram aplicados no Ceará. Adicionalmente, o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel) injeta cerca de R$ 1 bilhão anual na modernização das redes e da indústria de dados.
Vantagens operacionais e integração no Ceará
Na visão do setor produtivo, a matriz limpa é a chave econômica do negócio. Camylla Melo, especialista do núcleo de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), ressalta que o insumo elétrico representa a maior fatia dos gastos das centrais de dados.
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Com informações do Valor Econômico.
