Você já olhou para seu irmão ou irmã e se perguntou como duas pessoas criadas pelos mesmos pais podem ser tão distintas? Essa curiosidade é muito comum e faz parte de uma celebração importante como o Dia do Irmão.
A explicação para essas diferenças não está apenas na personalidade ou na convivência, mas sim em um processo biológico fascinante que ocorre no interior das nossas células, onde o DNA guarda segredos sobre nossa história.
Conforme informações divulgadas pela CNN Brasil, essa variação ocorre devido a um complexo mecanismo de reorganização genética que torna cada filho um indivíduo único e exclusivo na árvore genealógica da família.
O mecanismo da loteria genética
Embora cada pessoa herde exatamente 50% do material genético da mãe e 50% do pai, a forma como esses fragmentos são distribuídos não é fixa. Durante a formação dos óvulos e espermatozoides, ocorre um embaralhamento do DNA.
Segundo Ricardo Di Lazzaro, médico, doutor em genética e fundador da Genera, marca da Dasa, cada gestação resulta em uma composição genômica inteiramente nova, o que explica por que a divisão nunca é igual para todos os filhos.
Esse processo garante que um irmão possa carregar uma proporção maior de determinada ancestralidade do que o outro, tornando os resultados de testes genéticos, muitas vezes, surpreendentes para membros da mesma família.
Além da aparência, a saúde também varia
Muitas pessoas acreditam que a aparência física, como a cor da pele ou o formato dos olhos, define toda a carga genética, mas a ciência mostra que isso é apenas uma pequena parte de todas as informações contidas em nosso genoma.
O mesmo rearranjo que dita as diferenças físicas justifica por que irmãos podem apresentar riscos de saúde diferentes. Em doenças multifatoriais, como hipertensão e diabetes tipo 2, o DNA é apenas uma das partes da equação.
Fatores ambientais e hábitos de vida também modulam o surgimento dessas condições, mas a predisposição genética pode variar significativamente entre irmãos devido a essa loteria biológica que ocorre na concepção.
Ancestralidade e riscos específicos
A ancestralidade é um fator que pode indicar predisposições importantes, já que certas variantes de risco aparecem com mais frequência em grupos populacionais específicos, conforme aponta a fonte consultada.
Exemplos claros incluem a fibrose cística, que é mais incidente em populações de ancestralidade europeia, e a anemia falciforme, que possui maior frequência naquelas que possuem ancestralidade africana em seu histórico familiar.
Contudo, é fundamental destacar que nenhuma dessas condições é exclusiva de grupos específicos. A genética nunca atua de forma isolada, sendo apenas um dos diversos fatores que determinam a saúde de cada indivíduo ao longo da vida.
