Se tem um lugar onde a sanfona fala mais alto, esse lugar é Exu, no Sertão pernambucano. Desta quinta-feira, 11 de dezembro, até o domingo, 14, a terra de Luiz Gonzaga vira um grande terreiro de celebração cultural com o Festival Viva Gonzagão 2025, que homenageia os 113 anos do Rei do Baião. É música por todos os lados: palcos oficiais, praças, distritos, sítios, encontros improvisados e até rodas de forró que começam sem hora marcada e só acabam quando “a madeira deita”.
E, no meio dessa vibração que só o sertão sabe oferecer, o forrozeiro baiano Kelvin Diniz chega como uma das atrações do evento, se apresentando na terra da sua maior referência, no polo Aza Branca, dia 13, às 21h. Natural de Capim Grosso/BA e musicalmente formado em Serra Talhada/PE, ele destaca: “Tocar em Exu é como voltar ao começo de tudo. Gonzaga moldou o forró, moldou gerações e também moldou quem eu sou na música. Levar minha sanfona para a terra onde ele nasceu é um gesto de respeito e, ao mesmo tempo, um reencontro com minhas próprias raízes”.

É neste ambiente que o forrozeiro apresenta um show marcado pela energia do forró tradicional e pela interpretação própria que se tornou sua assinatura. Autodidata na sanfona, ele brinca dizendo que “toca sem pensar”, pois é como se o fole já fizesse parte dele de alguma forma. Foi esse domínio, inspirado também em Sivuca, que o fez chegar às finais do Festival Internacional Roland de Acordeon; dar aulas de sanfona para crianças em um projeto da Prefeitura Municipal de Capim Grosso e dividir trabalhos importantes com grandes nomes do forró, como Alcymar Monteiro, Adelmário Coelho, Irah Caldeira, Petrúcio Amorim e Assisão. “Exu é onde tudo faz sentido pra quem vive o forró. A gente pisa aqui e entende imediatamente por que Gonzaga transformou o mundo com três instrumentos. É um privilégio gigante trazer minha sanfona para este chão sagrado”, conta Kelvin, emocionado.
A programação do Viva Gonzagão reúne grandes nomes da música nordestina, como João Gomes, Mastruz com Leite, Dorgival Dantas e muitos outros; além de ações culturais que movimentam toda a cidade: romarias, apresentações regionais, rodas de mestres sanfoneiros, projetos educativos e o Polo “Bora Gonzaguear”, que coloca o pé-de-serra em primeiro plano – do jeitinho que Gonzagão gostava. E por falar em Gonzaga, no dia 14, às 11h, tem a Missa em Ação de Graças Pelos 113 anos de Luiz. Durante os quatro dias de festa, Exu vira uma partitura aberta. Cada canto toca uma melodia diferente. Cada sanfoneiro carrega um pedaço da história. E cada artista ajuda a manter viva uma chama que nunca se apaga.

