Tem coisa que só acontece nos corredores da Câmara de Petrolina. E, dessa vez, quem resolveu esticar a corda foi o vereador Wanderley Alves (PDT).
Visivelmente incomodado, ele subiu à tribuna não apenas para cumprir o ritual das indicações, mas para dar um recado — daqueles que têm endereço certo, mesmo sem nome e sobrenome. O alvo? Um colega da base do prefeito Simão Durando (UB) que, segundo Wanderley, anda mais preocupado em “dedurar” do que em legislar.
Na tradução livre do plenário: tem vereador fazendo papel de araponga.
O incômodo não é pequeno. Wanderley acusa o colega de circular vídeos seus, justamente aqueles em que aponta problemas nas comunidades, dentro das secretarias municipais, quase como quem tenta se credenciar no governo às custas do trabalho alheio. Um movimento que, na política miúda, costuma ter nome: puxar saco com material dos outros.
E aí vem o detalhe que incomoda ainda mais: as indicações são, talvez, o instrumento mais básico do mandato parlamentar. Quando um vereador precisa lembrar isso em voz alta, é porque o clima já saiu do eixo faz tempo.
“Não perca tempo mostrando meus vídeos, porque eu mesmo envio”, disse, num recado que soou menos como orientação e mais como aviso.
O curioso é que ninguém respondeu. Silêncio absoluto. E, em política, silêncio às vezes fala mais alto do que qualquer aparte.
Nos bastidores, a história ganhou tempero: há quem aposte que o tal “araponga” é um suplente com fama de pavio curto e gosto por confusão. Se for, a escolha de ficar calado desta vez foi estratégica. Ou calculada.
No fim das contas, o episódio revela mais do que uma simples troca de farpas. Mostra que, dentro da base governista, nem todo mundo joga no mesmo time, pelo menos não do mesmo jeito.
E quando vereador começa a vigiar vereador, é sinal de que a disputa já não é só por espaço… é por narrativa.

