No dia 11 de maio, uma equipe da Secretaria de Saúde de Pernambuco foi até o HU-Univasf, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, para ver com os próprios olhos se o hospital tem estrutura, equipe e condições para operar como referência de alta complexidade cardiovascular. A visita não é burocracia por burocracia: é parte de um processo que vai garantir que o hospital receba do SUS pelo que já realiza.
O HU já faz procedimentos de hemodinâmica. O problema é que, sem a habilitação formal, esses atendimentos ficam numa espécie de limbo, o hospital presta o serviço, mas não consegue registrar, faturar e receber pelo que fez. Com a habilitação, isso muda: cada procedimento passa a ser devidamente coberto pelo SUS, o que traz segurança financeira para o hospital e, consequentemente, mais estabilidade para quem depende dele.
“Na prática, isso fortalece a capacidade do hospital de manter e ampliar o atendimento, investir em tecnologia e qualificar equipes.” Enfatizou Fabrício Mesquita, Chefe de Gestão do Cuidado do HU-Univasf.
Saulo Xavier, gerente de Atenção à Saúde do HU, explica que o processo já tem aprovação na VIII Região de Saúde do estado. O próximo passo é validar a visita técnica que aconteceu em maio e levar a proposta à Comissão Intergestores Bipartite (CIB): o fórum onde estado e municípios definem as políticas de saúde. Depois disso, vai ao Ministério da Saúde para a habilitação definitiva.
Para o paciente, o impacto é concreto. Hoje, quem chega ao HU com problema vascular grave tem acesso à hemodinâmica no próprio hospital — sem precisar ser transferido para Recife ou Salvador. Com a habilitação, esse serviço ganha perenidade: o hospital pode investir em equipamentos, contratar e treinar equipe, e parar de depender de soluções improvisadas para manter a estrutura funcionando.
Hemodinâmica, para quem não é da área, é a especialidade que permite ver os vasos sanguíneos em tempo real e tratar problemas sem precisar abrir o paciente. Menos cirurgia aberta significa menos risco, menos tempo de internação e recuperação mais rápida. É o tipo de serviço que faz diferença num hospital que atende uma região sem outras referências próximas.
A habilitação abrange dois serviços específicos: cirurgia vascular de alta complexidade e procedimentos endovasculares extracardíacos – linguagem técnica para tratamentos minimamente invasivos de artérias e veias que não envolvem o coração diretamente.
A expectativa é que, cumpridas as etapas restantes, o Ministério da Saúde formalize a habilitação ainda em 2026.


