Alguns livros terminam na última página. Outros seguem vivos na memória de quem os leu. Foi assim a segunda edição do Juá Literária. Durante seis dias, Juazeiro respirou literatura, música, arte, educação e encontros. Neste sábado (25), o festival chegou ao fim e deixou um saldo que vai além dos números, mas que também impressiona: mais de 140 mil pessoas passaram pelos espaços do evento e mais de R$ 7 milhões circularam na economia local. Os resultados consolidam o Juá Literária como um dos maiores festivais do gênero no Brasil e uma das principais iniciativas culturais do Nordeste.
Realizado pela Prefeitura de Juazeiro, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), dentro do Programa Juazeiro Avança (PROJUA) e em parceria com a produtora Carranca, o festival espalhou histórias pela cidade inteira. A Orla 2 do Rio São Francisco virou ponto de encontro entre escritores, leitores, estudantes, artistas, educadores e famílias. Crianças descobriram o mundo dos livros, estudantes lançaram suas próprias obras, autores conversaram com o público e milhares de pessoas voltaram a ocupar os espaços públicos por meio da cultura.
A programação foi variada e cheia de opções. Teve mesas literárias, oficinas, lançamentos, contação de histórias, espetáculos teatrais, debates, atividades de formação, espaços voltados para a infância, shows e conversas entre autores de diferentes gerações. Tudo isso reforçou uma ideia simples: a literatura conversa com todas as formas de arte e com pessoas de qualquer idade.
A diversidade também apareceu na lista de convidados. Grandes nomes da literatura, da música, do jornalismo e da educação dividiram espaço com artistas e escritores do Vale do São Francisco. Passaram pelo festival Adriana Calcanhotto, Oswaldo Montenegro, Marcelo Jeneci, Teatro Mágico, Flaira Ferro, Josyara, Juliana Linhares, Alexandre Leão, Daniel Munduruku, Bob Fernandes, Emiliano José, Aline Bei, Bárbara Carine, Ricardo Ishmael, Rodrigo França e Fátima Freire Dowbor, ao lado de poetas, músicos, pesquisadores e artistas da região. O encontro fortaleceu a ligação entre a produção local e a nacional.
O último dia resumiu bem o espírito do festival. De manhã e à tarde, clubes de leitura, debates sobre educação, conversas sobre a saúde emocional dos professores, literatura popular e lançamentos movimentaram o Teatro do Centro de Cultura João Gilberto, o Cais da Palavra, o Palco FLIJUÁ, a Carreta Literária, as Embarcações de Poesias, o espaço Juazinha e outros ambientes.
À noite, a literatura reencontrou a música. Renato Braz abriu a programação, seguido por Oswaldo Montenegro, que emocionou a plateia com poesia e canções que atravessam gerações. Para fechar, Jéssica Caitano levou ao palco a força da palavra falada e celebrou a oralidade, a identidade nordestina e o poder da arte de transformar.
Mais do que reunir grandes nomes, o Juá Literária colocou a educação pública e a produção cultural local no centro das atenções. Estudantes subiram ao palco como autores, artistas e mediadores. Educadores trocaram experiências. Escritores do Vale do São Francisco dividiram espaço com referências nacionais. Famílias inteiras caminharam entre livros, shows e apresentações, numa experiência coletiva que aproximou cultura, educação e pertencimento.
Para o prefeito Andrei Gonçalves, a segunda edição é um marco para a cidade e a consolidação de uma política pública que une educação, cultura, economia e transformação social.
“O Juá Literária mostrou ao Brasil a força da nossa gente e o poder transformador da educação. Durante seis dias, Juazeiro virou uma verdadeira cidade-livro, onde crianças descobriram novos mundos pela leitura, escritores encontraram seus leitores, artistas compartilharam talentoso e milhares de famílias ocuparam os espaços públicos para celebrar a cultura. Os mais de 140 mil visitantes e os mais de R$ 7 milhões movimentados mostram que investir em educação e cultura também é gerar desenvolvimento, oportunidades e fortalecer a identidade do nosso povo. O Juá Literária já faz parte da história de Juazeiro e do calendário cultural do Brasil. Encerramos esta edição com muito orgulho e já começamos a escrever, a partir de hoje, o próximo capítulo, que será ainda maior, mais democrático e mais transformador”, afirmou.
Entre os milhares de visitantes, muitos conheceram o festival pela primeira vez. Foi o caso de Morgana Tenório, que elogiou a variedade da programação e o clima acolhedor do evento.
“Vim conhecer o Juá Literária e saio daqui encantada. É emocionante ver uma cidade inteira abraçando a literatura desse jeito. Em cada espaço tem uma programação diferente, pessoas de todas as idades participando, artistas incríveis e um clima que faz a gente querer ficar. Mais do que um festival, é uma experiência que aproxima as pessoas da cultura e mostra a força que a educação e a arte têm para mudar vidas. Já quero voltar na próxima edição”, disse.
A economia local sentiu o impacto do movimento. Hotéis, bares, restaurantes, ambulantes, artesãos, livrarias e motoristas de aplicativo estiveram entre os que ganharam com o fluxo de visitantes, o que confirma a cultura como uma boa aposta de desenvolvimento para a cidade.
Parte do Programa Juazeiro Avança (PROJUA) e das comemorações pelos 148 anos do município, a segunda edição do Juá Literária homenageou 54 artistas juazeirenses. A homenagem celebrou quem preserva memórias, fortalece a identidade cultural da cidade e inspira as novas gerações pela literatura, pela música e pelas artes.
No fim, ficou a certeza de que algumas histórias não terminam quando o livro se fecha. Elas seguem sendo escritas na lembrança de quem viveu cada encontro, cada conversa, cada página dividida. O Juá Literária encerrou a segunda edição e abriu um novo capítulo na história cultural de Juazeiro.
