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Isolado pelo Centrão, Flávio Bolsonaro muda estratégia e aposta tudo na base bolsonarista para tentar decolar nas pesquisas

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega às horas decisivas da pré-campanha enfrentando sérias dificuldades para firmar coligações. O chamado Centrão, que antes era visto como um aliado natural, tem dado sinais de que prefere a neutralidade na disputa presidencial deste ano.

A tentativa de ampliar o palanque e definir um vice de peso tem se mostrado um desafio complexo. Sem garantias concretas, o senador admite agora a possibilidade de seguir na disputa apenas com o apoio do seu próprio partido, o PL, conforme informações divulgadas pelo portal Metrópoles.

Esta situação coloca a campanha em um momento de reflexão sobre os rumos da disputa. A seguir, entenderemos como a falta de alianças impacta diretamente a estrutura da candidatura e a estratégia de comunicação adotada pelo núcleo bolsonarista.

A resistência do Centrão e o impacto na chapa

A busca por acordos com legendas como Republicanos, Podemos e a federação composta por União Brasil e PP tem sido frustrante. Muitos desses partidos decidiram liberar seus diretórios estaduais, evitando um compromisso formal com a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto.

Um exemplo claro dessa resistência foi a tentativa frustrada de ter a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice. O PP optou por não apoiar oficialmente nenhum nome, deixando o senador em uma posição de desvantagem na corrida por tempo de propaganda no rádio e na televisão.

Dados do Metrópoles indicam que, se disputar isoladamente, Flávio terá apenas 4 minutos e 18 segundos por bloco, ficando atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conta com 5 minutos e 34 segundos. Esse cenário reforça a urgência de novas adesões.

Mudança de rumo para reconquistar a militância

Diante da dificuldade em atrair o centro, a campanha decidiu mudar o foco. A avaliação interna é que o perfil moderado adotado anteriormente não surtiu efeito, além de ter afastado parte da militância mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Agora, Flávio passou a intensificar sua presença nas redes sociais com um tom mais incisivo. Ele retomou críticas diretas a adversários e voltou a pautar temas caros ao bolsonarismo, como o questionamento das urnas eletrônicas e ataques ao Supremo Tribunal Federal.

A estratégia inclui até a realização de transmissões ao vivo nas noites de quinta-feira, replicando o modelo que tornou seu pai uma figura central na comunicação digital. O objetivo é fortalecer a marca bolsonarista e estancar a queda na intenção de votos.

Troca no comando da comunicação e foco no eleitor fiel

Para operacionalizar essa virada, o PL promoveu mudanças drásticas. O publicitário Duda Lima, responsável pela campanha de Jair Bolsonaro em 2022, assumiu o comando da estratégia, substituindo nomes que defendiam uma postura mais comedida.

Uma pesquisa Genial/Quaest, divulgada em julho, serviu de alerta para a equipe, mostrando que o percentual de eleitores com voto definitivo em Flávio caiu de 70% para 62%. A nova diretriz busca reverter esse quadro aproximando o candidato da identidade de seu pai.

Apesar do isolamento, a cúpula do PL ainda mantém a esperança de fechar alianças de última hora. Caso contrário, nomes como o senador Rogério Marinho (PL-RN) e as deputadas Júlia Zanatta (PL-SC) e Priscila Costa (PL-CE) seguem cotados para compor a chapa pura.

A esperança nas pesquisas e o peso do apoio

Para tentar convencer os resistentes, a campanha tem utilizado a pesquisa BTG/Nexus como trunfo. O levantamento mostrou uma aproximação entre Flávio e Lula, o que, segundo aliados, reforça a competitividade da candidatura mesmo sem coligações robustas.

O argumento central é que o apoio durante a campanha será decisivo para a ocupação de espaços em um eventual governo. A ideia é convencer partidos de centro de que o isolamento no primeiro turno pode custar caro na hora de compor a administração futura.

Resta saber se o apelo será suficiente para quebrar a neutralidade do Centrão. Enquanto as negociações seguem nos bastidores, Flávio Bolsonaro aposta todas as suas fichas na mobilização da base bolsonarista para manter vivo o sonho do Palácio do Planalto.

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