No oeste do Iêmen, o Hospital Geral de Mocha tornou-se a única opção de atendimento para muitas pessoas após a recente escalada do conflito. Com a maioria das outras unidades de saúde da cidade fora de operação devido à falta de profissionais, a unidade apoiada por Médicos Sem Fronteiras (MSF) continua recebendo mulheres grávidas, recém-nascidos, crianças e pacientes com condições médicas que exigem atendimento urgente.
Sara Ahmed, supervisora de promoção da saúde de MSF em Mocha, descreve o aumento das necessidades médicas e os desafios enfrentados diariamente por pacientes e equipes de saúde. “Fomos obrigados a reduzir algumas de nossas atividades e concentrar nossos esforços nos serviços essenciais. Os [profissionais de saúde] que permanecem no hospital estão trabalhando em circunstâncias extremamente difíceis e fazendo tudo o que podem para manter os serviços em funcionamento”, afirma.
Na região desde 2018, MSF presta assistência médica e humanitária com foco especial em Mocha, Mafraq e Al Khawkha. “Nosso trabalho tem se concentrado principalmente na saúde materno-infantil, bem como no encaminhamento de pacientes que precisam de cuidados mais avançados ou especializados. Mas tivemos de reduzir algumas de nossas atividades. Estamos fazendo tudo o que podemos para manter os serviços médicos essenciais em funcionamento, especialmente para mulheres e crianças”, explica.
A importância da unidade tornou-se ainda mais evidente à medida que outras estruturas de saúde deixaram de funcionar. Em 14 de setembro, 30 pacientes estavam em tratamento no hospital, incluindo bebês na unidade de terapia intensiva neonatal e quatro mulheres em trabalho de parto.
“As necessidades são extremamente elevadas e não se trata apenas de pessoas feridas devido à violência: há mulheres grávidas que precisam de atendimento urgente, mulheres que necessitam de cesarianas, crianças que precisam de tratamento e pacientes com doenças que simplesmente não podem esperar.” E completa: “Na noite passada nós ouvimos ataques aéreos, o que obviamente aumenta o medo e a pressão tanto para a população local quanto para nossas equipes.”
Para os profissionais que permanecem no hospital, manter esses serviços funcionando significa garantir que pacientes com necessidades médicas urgentes continuem tendo acesso a cuidados. “Estamos aqui para prestar assistência médica. E, enquanto pudermos fazê-lo com segurança, continuaremos a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para apoiar aqueles que ainda precisam de ajuda. No fim das contas, não se trata apenas de MSF ou de nossas equipes. Trata-se de uma mulher grávida que precisa de uma cesariana de emergência. Trata-se de uma criança doente que precisa de tratamento.”
Além de Mocha, MSF apoia hospitais em Aden, Hodeidah, Abs, Taiz, Al-Bayda e Al-Jawf, reforçando a capacidade de triagem das unidades e fornecendo medicamentos essenciais, suprimentos médicos e kits para atendimento de traumas.
