A produção de castanha-da-Amazônia enfrenta incertezas com o avanço de eventos climáticos extremos. A recorrência do El Niño tem alterado regimes de chuva e temperatura na região, afetando a sobrevivência das árvores e o ciclo produtivo que sustenta essa economia.
Embora a safra que começa em novembro apresente perspectivas relativamente favoráveis, especialistas alertam para riscos nos próximos anos. A instabilidade climática atinge não só a produção do fruto, mas também toda a cadeia logística até as unidades de processamento.
Conforme a pesquisadora Patrícia da Costa, da Embrapa Meio Ambiente, a frequência crescente desses fenômenos tem ampliado as dificuldades do setor.
O ciclo produtivo e a ameaça climática
As castanheiras têm um ciclo longo: de 12 a 18 meses entre floração e frutificação. Por isso, a safra corrente tende a não sofrer impactos imediatos, mas colheitas futuras ficam vulneráveis ao estresse por calor intenso e secas prolongadas. Dados do IBGE mostram variações de produção ligadas a esses eventos: após El Niños severos (2015–2016) o volume caiu para 23 mil toneladas em 2017; subiu para 38 mil toneladas em 2022 e recuou para 26 mil toneladas após os fenômenos de 2023–2024.
Logística de transporte e escoamento
As secas provocadas pelo El Niño reduzem os níveis dos rios, prejudicando a navegação — principal modal de transporte da castanha. A queda do calado encarece o frete, retarda o escoamento e dificulta o acesso aos castanhais, o que reduz a renda das cerca de 60 mil famílias envolvidas na atividade.
Oscilação de preços e mercado internacional
A oferta instável elevou fortemente os preços: o quilo passou de R$ 3,97 (2020) para R$ 7,96 (2025). Atualmente o Brasil exporta majoritariamente o produto in natura para Bolívia e Peru, que o processam e reexportam para EUA e Europa. O setor busca retomar exportações diretas, investindo em controle de qualidade para atender normas sanitárias globais.
Importância socioambiental
Com um valor econômico annual estimado em R$ 210 milhões, a cadeia da castanha é essencial para a conservação da floresta. A extração realizada por milhares de famílias contribui para a soberania alimentar e reduz a pressão por desmatamento. O desafio é conciliar produção e mudanças climáticas; enquanto o setor aprimora o processamento, o manejo sustentável segue como principal instrumento de preservação desse patrimônio natural.
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Com CNN.
