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Proibição das bets afeta fornecedores e ameaça empregos no Nordeste (22/10)

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A Medida Provisória que levou ao encerramento de contratos e ao cancelamento de pedidos no setor de apostas já afeta fornecedores e trabalhadores ligados à atividade. Segundo levantamento da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), mais de 3,5 mil postos de trabalho foram perdidos, enquanto outros 5,6 mil podem ser afetados nos próximos 90 dias. O levantamento da ANJL registra ainda 4.167 funcionários em férias coletivas e projeta a perda de 5,6 mil empregos em até 90 dias.

Os impactos também chegam a empresas que fornecem produtos e serviços para festas populares e eventos culturais no Nordeste. Em Pernambuco e na Bahia, por exemplo, as casas de apostas estão entre as empresas que investem no Carnaval e em outras festas populares. Desde 2023, ao menos sete marcas patrocinaram ações culturais na região: Esportes da Sorte, Betnacional, Bora Jogar, H2Bet, F12.bet, Aposta Ganha e 7K.

Em 2023, a F12.bet esteve entre as marcas que apoiaram o Carnaval de Olinda. No ano seguinte, a Aposta Ganha patrocinou os carnavais de Salvador e Olinda, além de ações no Marco Zero, no Recife. A Bora Jogar foi patrocinadora máster do Camarote Salvador. Em 2025, a Betnacional patrocinou o Carnaval de Salvador, enquanto a H2Bet assumiu o patrocínio máster do Camarote. O Esportes da Sorte esteve presente em eventos carnavalescos em Pernambuco e na Bahia em 2025 e manteve patrocínios em 2026, incluindo os carnavais de Recife, Olinda e Salvador. A 7K também anunciou apoio a blocos e eventos carnavalescos em Recife e Imperatriz, no Maranhão, em 2026.

Do patrocínio aos fornecedores

Por trás das ações de divulgação e dos patrocínios, há empresas responsáveis pela produção de materiais, confecção de brindes e contratação de serviços. Esses fornecedores nem sempre estão na mesma cidade ou estado em que os eventos acontecem.

É o caso do polo de bonés do Seridó, no Rio Grande do Norte, que atende empresas de apostas presentes em festas de diferentes cidades nordestinas. Duas fabricantes da região estimam ter perdido R$2,95 milhões em pedidos após o cancelamento de contratos relacionados ao setor de apostas. Juntas, as encomendas somavam 500 mil peças e envolveriam funcionários, oficinas terceirizadas e pequenos produtores nos próximos meses.

Na WRL Bonés, um pedido de 300 mil peças para o Esportes da Sorte representaria R$2,1 milhões em receita e mobilizaria cerca de 200 trabalhadores, entre funcionários da fábrica e profissionais de empresas fornecedoras. Segundo a diretora Larissa Almeida, a empresa não tem outros clientes capazes de absorver um volume semelhante de produção.

A DF Bonés e Chapéus, por sua vez, estima ter perdido R$850 mil em negócios, referentes a 200 mil peças. A produção estava prevista para começar em novembro e envolveria cerca de 50 pequenos produtores. Agora, a fabricante busca alternativas para evitar demissões.

Além do Esportes da Sorte, as fabricantes atendem clientes como Betnacional e Sportingbet. Os efeitos sobre o emprego e a renda na cadeia produtiva ainda não foram dimensionados.

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Fonte: FSB Comunicação///

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