InícioPolíticaA bancada dos influenciadores no Congresso: quem são os jovens que trocaram...

A bancada dos influenciadores no Congresso: quem são os jovens que trocaram as redes sociais pelas cadeiras da Câmara dos Deputados?

Autor

Data

Categoria

O tabuleiro político nacional passa por uma transformação profunda com a chegada de uma nova geração ao Congresso. Jovens que construíram carreiras sólidas no mundo virtual agora ocupam cadeiras na Câmara dos Deputados, trazendo um modelo de atuação que prioriza o engajamento constante e a comunicação direta com o eleitorado.

Essa mudança é evidente na composição da chamada bancada dos influenciadores, que reúne nomes de diferentes espectros ideológicos. O movimento, que ganhou força após a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, consolidou-se em 2024, elegendo figuras que possuem milhões de seguidores e utilizam as redes como principal ferramenta de campanha.

Conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo, essa nova bancada dos influenciadores conta com parlamentares de direita e esquerda, como Nikolas Ferreira, André Fernandes, Kim Kataguiri, Erika Hilton e Sâmia Bomfim, que agora ganham o reforço de diversos jovens eleitos em todo o país.

O fenômeno da renovação política e a força das redes sociais

Para muitos desses eleitos, a internet não é apenas um meio de divulgação, mas a base fundamental de sua atuação. Guilherme Kilter, eleito pelo Novo no Paraná, afirma que o sucesso desse grupo reflete a vontade do eleitor de ver uma renovação real, distanciando-se do modelo tradicional de propaganda em rádio e televisão.

Kilter destaca que a crítica à falta de experiência é muitas vezes uma forma de desqualificar o trabalho da bancada dos influenciadores. Segundo ele, a atuação parlamentar vai muito além dos vídeos, citando a apresentação de dezenas de projetos de lei durante sua passagem pela Câmara de Curitiba.

Os nomes de destaque e a estratégia da bancada dos influenciadores

Entre os nomes que chegam ao Congresso, Lucas Pavanato se destaca como um dos maiores expoentes da direita. Com milhões de seguidores, ele foi um dos mais votados em São Paulo, adotando um estilo provocador e focado em pautas identitárias que geram amplo debate nas redes sociais.

Por outro lado, a esquerda também ampliou sua presença na bancada dos influenciadores. Ana Elisa, de Minas Gerais, é um exemplo dessa nova fase, sendo a deputada mais jovem do país. Ela defende que sua atuação digital é uma consequência do trabalho político e da militância cotidiana, e não o contrário.

Desafios e o choque com a política tradicional

Nem todos veem essa mudança com otimismo. A ex-deputada Janaina Paschoal expressou preocupação com o uso excessivo de impulsionamento e a valorização de conteúdos superficiais. Para ela, existe o risco de eleger pessoas que priorizam o espetáculo em vez da construção de políticas públicas estruturantes.

A especialista em marketing político Vanessa Marques reforça que o desafio real para a bancada dos influenciadores começa agora. Ela lembra que, dentro do Congresso, o peso do voto de cada parlamentar é igual, independentemente de quantos seguidores ou milhões de votos o representante obteve nas urnas.

O futuro da representação digital no Parlamento

O teste para esses jovens será provar que conseguem transitar entre a dinâmica veloz da internet e o ritmo, muitas vezes lento e complexo, das negociações legislativas. A política do espetáculo, como apontam críticos, terá que se provar capaz de entregar resultados concretos para a população.

Seja pela direita ou pela esquerda, a bancada dos influenciadores promete agitar os corredores de Brasília. Resta saber se a habilidade de viralizar conteúdos será suficiente para enfrentar os problemas reais do país e construir consensos em um ambiente tão polarizado quanto o Congresso Nacional.

—

Fonte: Valor.

Postagens Mais Vistas