InícioUtilidade PúblicaEstudo aponta que pesca no Brasil continua sendo feita “no escuro”

Estudo aponta que pesca no Brasil continua sendo feita “no escuro”

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O Brasil desconhece a situação de mais de 90% das 117 espécies marinhas capturadas comercialmente. Esse dado faz parte da 2ª edição da Auditoria da Pesca 2021, publicada nesta quarta-feira,23, pela Oceana, uma organização não governamental sem fins lucrativos, focada na preservação dos oceanos. Para o diretor científico da organização, o oceanógrafo Martin Dias, essa situação é alarmante e é urgente que o Brasil adote estratégias efetivas para a gestão e o controle da pesca.

“A gente está trabalhando em cima de uma atividade extrativa em que os recursos são para serem explorados, mas eles têm uma capacidade de suporte. E a gente está operando ignorando por completo a produção que a gente consegue ter sustentável de cada um dos estoques. Isso é muito perigoso. Perigoso porque, obviamente, você tem consequências ambientais que podem impactar, levar até um estoque para um colapso. Mas eu acho que é perigoso do ponto de vista socioeconômico da segurança alimentar.”

Carlos dos Santos, mais conhecido como Carlinhos, é pescador tradicional há 40 anos em Canavieiras, na Bahia, e coordenador institucional da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos. A comunidade da qual faz parte vive da pesca extrativista realizada em jangadas. Com a chegada das grandes embarcações, ele percebeu mudanças na abundância dos animais aquáticos.

Carlos dos Santos, coordenador institucional da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem), detalha que:

“Os maiores conflitos que nós vivemos na pesca está justamente relacionado a questões que são alheias da pesca, sabe? Há o conflito sim com as grandes embarcações de pesca industriais, sim, há o conflito em em várias áreas está entendendo? Mas em algumas áreas com iniciativa das comunidades também há iniciativa de se garantir que se haja um ordenamento.”

Para evitar a exploração desordenada, ele liderou a comunidade para o estabelecimento de uma reserva extrativista no local. Foram cinco anos de luta para que a exploração pesqueira na região permanecesse artesanal. Carlinhos avalia que ter conhecimento é importante para garantir a sustentabilidade da pesca no longo prazo, daí a relevância dos dados da Auditoria da Pesca.

Carlos dos Santos, coordenador institucional da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem)

“Então precisamos trazer a discussão desse parâmetro pra justamente a gente também compreender, né? Aonde é que tá a maior força nesse processo? Eh e as informações trazidas aqui elas são informações fundamentais inclusive pra gente avaliar esse contexto histórico pensar o futuro da gestão da pesca nesse país.”

Os dados do estudo da Oceana revelam que não houve avanços na gestão da pesca no país desde o final de 2020, quando foi lançada a 1ª edição da Auditoria da Pesca. O relatório completo está disponível na página da Oceana Brasil na internet.

Fonte: Brasil 61

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