O presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro, dominou a primeira parte do debate realizado pela Rede Bandeirantes neste domingo em São Paulo. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se ateve a atacar a gestão citando a pandemia administrada pelo atual presidente.
Na parte final, foi a vez de Bolsonaro conduzir o embate, ele aproveitou para provocar Lula a falar sobre corrupção, sobretudo sobre o escândalo envolvendo a Petrobrás, o chamado Petrolão – “Se teve corrupção na Petrobrás, bastou prender o ladrão”, disse Lula que viu o imbróglio da Petrobrás em Curitiba onde esteve preso.
Para alguns analistas, houve empate técnico no primeiro debate entre Lula e Bolsonaro.
No primeiro bloco, Lula conduziu o debate, legando a Bolsonaro responder sobre a pandemia. O ex-presidente tratou sobre a pandemia em aproximadamente dez dos 15 minutos à disposição do presidente. Incomodado, Bolsonaro conseguiu se livrar do tema ao tratar sobre suposta relação de Lula com Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, narcotraficante acusado de ser líder do PCC. Bolsonaro também disse que Lula visitou recentemente o Complexo do Alemão ao lado de bandidos. Ambas as acusações foram rechaçadas por Lula.
Segundo bloco foi o bloco do ‘não’
O segundo bloco do debate, no qual candidatos tiveram de responder perguntas dos jornalistas. Dessa forma, tanto Lula quanto Bolsonaro foram obrigados pela regra a tratar mais detidamente sobre propostas. E tanto Lula quanto Bolsonaro afirmaram que não pretendem aumentar o número de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Aumentar o número de magistrados é um dos movimentos capazes de corroer democracias.
Em uma pergunta sobre uma eventual privatização da Petrobrás, Lula foi categórico ao dizer que não pretende repassar para a iniciativa privada a empresa petrolífera. Bolsonaro não deixou sua proposta tão clara, preferindo falar que foi sua gestão que contribuiu para reduzir o preço dos combustíveis e controlar a inflação. Nenhum dos dois candidatos, no entanto, se comprometeram a criar uma lei que responsabilizaria criminalmente atores públicos que praticassem fake news.
Bolsonaro conduz 3º bloco
Se Lula conduziu o primeiro bloco do debate com a má gestão de Bolsonaro na pandemia, o atual presidente saiu-se melhor na terceira parte do encontro de domingo. O tema escolhido por Bolsonaro, o escândalo envolvendo a Petrobrás, deixou o ex-presidente visivelmente irritado – a ponto do petista interromper Bolsonaro e ser reprimido pelos mediadores duas vezes.
Lula criticou as operações que levaram à prisão de diversos executivos, indicando que elas foram responsáveis por desemprego, já que essas mesmas empresas passaram a enfrentar dificuldades.
Bolsonaro insistiu no tema, forçando o adversário petista a buscar referências no seu desempenho na economia, obviamente considerado por ele ótimo, assim como também trouxe ao debate outro ponto delicado a Bolsonaro, os recordes negativos de desmatamento no País durante a gestão do hoje candidato pelo PL. Lula conseguiu êxito parcial, indicou que pretende criar o ministério dos povos indígenas e explorar corretamente a biodiversidade, o que Bolsonaro considerou proposta para dividir a biodiversidade com outros países.
Mas a administração do tempo mais eficiente, fez com que Bolsonaro passasse a parte final do bloco ‘falando sozinho’. Bolsonaro voltou a ligar Lula a criminosos no Rio de Janeiro, a Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua desde 2007. Sozinho no centro do estúdio, por mais de quatro minutos, o atual presidente citou até o Foro de São Paulo, além de criticar a economia da Argentina, falou sobre a miséria na Venezuela e perguntou aos eleitores se eles querem isso ao Brasil.
Com informações do Estadão

