InícioPernambucoRetrospectiva 2022: o ano em que o mundo atingiu a marca de...

Retrospectiva 2022: o ano em que o mundo atingiu a marca de 100 milhões de pessoas forçadas a se deslocar

Autor

Data

Categoria

Parte do “acúmulo” dos números, ou a razão pelas quais essas estatísticas apenas crescem, deve-se não só ao surgimento de novas crises, mas da não resolução de crises antigas.

Em outubro, o ACNUR anunciou um outro recorde, igualmente chocante: um déficit de 700 milhões de dólares, maior desfalque orçamentário de sua história. Com essas restrições, a organização é forçada a cortar programas de extrema necessidade e não permite com que sejam desenvolvidos os programas de soluções duradouras para pessoas que vivem há anos – ou até mesmo décadas – na dependência de assistência humanitária.

Obrigado, Brasil!

No Dia Mundial do Refugiado (20 de junho), o Brasil recebeu uma singela homenagem das pessoas refugiadas que foram acolhidas no país através de uma projeção feita nas duas torres do Congresso Nacional, que estampou: “Obrigado, Brasil!”

Até agora, o país já reconheceu mais de 63 mil pessoas como refugiadas, sendo que a maioria são oriundas da Venezuela, Síria e Senegal. Confira os dados atualizados aqui.

Inundações no Paquistão

As mudanças climáticas estão reconfigurando as formas e diretrizes de se pensar deslocamento forçado e respostas emergenciais, e em 2022 testemunhamos desastres climáticos afetando gravemente populações inteiras.

O caso mais emblemático foram as inundações no Paquistão, que afetaram mais de 33 milhões de pessoas – incluindo uma parcela significativa de refugiados no país. Entre Nigéria, Chade, Níger, Burkina Faso, Mali e Camarões, já são 3,4 milhões de pessoas afetadas também por enchentes somente em 2022.

Afegãos no Brasil

A crise que se iniciou em 2021 se manteve como um dos principais focos de atuação do ACNUR a nível global e no Brasil, que nos últimos 12 meses – segundo dados do Ministério das Relações Exteriores -emitiu de cerca de 5,8 mil vistos humanitários para pessoas afetadas pela atual crise no Afeganistão.

Neste mesmo período, de acordo com informações da Polícia Federal, o país registrou a entrada em território nacional de mais de 2,2 mil pessoas afegãs.

De acordo com dados do ACNUR, cerca de 600 pessoas do Afeganistão já foram atendidas pela agência e suas organizações parceiras no Brasil no último ano – desde a publicação da Portaria Interministerial n. 24, de 3 de setembro de 2021, que estabeleceu a concessão dos vistos humanitários e autorização de residência por razões humanitárias para nacionais afegãos, apátridas e pessoas afetadas pela situação naquele país.

Mais do que merecido: cidadã e condecorada!

Apesar de todos os desafios, o ano se encerra com uma vitória: a ex-apátrida Maha Mamo foi condecorada com a insígnia da Ordem de Rio Branco, Grau de Cavaleiro, por sua atuação cívica pelo fim da apatridia, condição em que vivem por 30 anos até ser reconhecida como cidadã brasileira em 2018.

“É com muito orgulho que continuarei a levar o nome e o bom exemplo do Brasil para todos os países onde eu estiver. É uma grande honra receber este tão importante reconhecimento da diplomacia brasileira”, afirmou Maha, que dedicou a nova conquista a todas as milhões de pessoas apátridas no mundo.

Estima-se que mais de 10 milhões no mundo sejam apátridas, ou seja, não possuam nacionalidade, registro ou documentação que comprovem sua existência, tornando essa população especialmente marginalizada e sem acesso a direitos básicos.

Postagens Mais Vistas