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Trump taxa produtos brasileiros em 50%; Lula promete reciprocidade

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O presidente americano Donald Trump decidiu sobretaxar produtos brasileiros em 50% em retaliação ao que chama de uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022. Em uma carta pública endereçada ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, Trump diz que o Brasil não está sendo “bom” com os Estados Unidos e que a forma como Bolsonaro tem sido tratado no país é “uma vergonha internacional”. Trump foi além e afirmou que o processo contra o ex-presidente brasileiro deveria ser encerrado imediatamente. Desde o início da semana, o presidente americano havia dado sinais de que iria tentar interferir nos assuntos internos brasileiros por meio de sanções e tarifas. Ontem, ele escreveu um longo texto em sua rede social, o Truth Social, defendendo Bolsonaro e afirmando que o Brasil fazia uma perseguição política ao ex-presidente. (CNN Brasil)

A diplomacia brasileira classificou a carta como ofensiva e determinou que ela seja devolvida a Trump. Como o documento havia sido publicado em rede social e não enviado pelos canais oficiais, o Itamaraty convocou pela segunda vez no dia o encarregado de negócios da embaixada americana, Gabriel Escobar, que confirmou o teor do texto. O governo americano ainda não nomeou um novo embaixador, o que faz do encarregado a mais alta autoridade diplomática do país no Brasil. Mais cedo, Escobar já havia sido convocado para ouvir que as declarações de Trump sobre a suposta perseguição a Bolsonaro eram uma “inaceitável e indevida” intromissão de Washington nos assuntos internos brasileiros. (UOL)

O Palácio do Planalto estuda como vai reagir ao tarifaço de 50% imposto pelo governo americano. Nas redes sociais, o presidente Lula afirmou que o Brasil vai responder à taxação de Trump por meio da lei brasileira da reciprocidade econômica. Lula, no entanto, não informou se o Brasil vai sobretaxar os produtos americanos no mesmo percentual aplicado por Washington. No governo, o consenso é de que a decisão de Trump é puramente política, já que o Brasil tem déficit na balança comercial com os americanos. “É falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte-americano. As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos”, escreveu Lula no X. (Metrópoles)

O anúncio feito por Trump na tarde de ontem pegou o governo brasileiro de surpresa, mas já era esperado por apoiadores de Bolsonaro e pelo próprio ex-presidente. A interlocutores próximos, Bolsonaro disse que Trump decidiu agir agora por conta da repercussão das falas do presidente Lula na reunião de cúpula dos Brics, que aconteceu no final de semana passado no Rio. Lula, uma vez mais, defendeu que os países dos Brics busquem alternativas ao dólar em suas transações bilaterais. Trump já havia afirmado que os Brics estavam tentando destruir o dólar como moeda de referência internacional e que os países do bloco pagariam um preço caro por isso. (Globo)

A carta enviada por Trump a Lula também faz duras críticas ao Supremo Tribunal Federal, que acusa de ter censurado as redes sociais americanas de maneira secreta e ilegal. Entre os ministros da Corte houve o consenso de que o STF não deveria se pronunciar oficialmente sobre os ataques de Trump. O ministro Flávio Dino se pronunciou de maneira pessoal e afirmou que era “uma honra integrar o Supremo Tribunal Federal, que exerce com seriedade a função de proteger a soberania nacional, a democracia, os direitos e as liberdades, tudo nos termos da Constituição do BRASIL e das nossas leis”. (Folha)

As novas tarifas impostas por Trump aos produtos brasileiros vão impactar diretamente o agronegócio, um dos setores econômicos mais próximos de Jair Bolsonaro nos últimos anos. O Brasil exporta de tudo um pouco para os Estados Unidos, mas os campeões de venda para o mercado americano são produtos florestais, café, carnes, sucos e itens do setor sucroalcooleiro. Juntos, esses segmentos venderam mais de US$ 9 bilhões para os Estados Unidos. Ao todo, o Brasil exportou US$ 40,3 bilhões aos americanos em 2024 e importou US$ 40,6 bilhões. A Frente Parlamentar da Agricultura no Congresso pediu que o governo adote uma postura firme na resposta aos Estados Unidos. (g1). (MEIO).

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