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Mel do Araripe transforma Sertão de Pernambuco em referência na apicultura

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Impulsionada pelas características únicas da Caatinga, cadeia produtiva do mel gera renda, movimenta pequenos negócios e consolida o Sertão do Araripe como principal polo apícola do estado.

A necessidade de buscar novas fontes de renda, aliada às condições climáticas favoráveis e ao baixo custo de implementação, transformou o Sertão do Araripe em referência na apicultura pernambucana. A atividade, voltada à criação de abelhas para a produção de mel, fortalece a economia dos municípios da região, localizada no oeste do estado – a primeira região pernambucana a obter o Selo de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura, que garante a qualidade sanitária e permite a comercialização em todo o país.

A apicultura no Araripe começou a ganhar força ainda na década de 1980, mas foi nos anos 2000 que a cadeia produtiva se consolidou, impulsionada pela criação de cooperativas e associações de produtores. Há mais de 20 anos, o Sebrae Pernambuco atua no apoio à atividade, com iniciativas voltadas ao fortalecimento dos pequenos negócios, à qualificação da produção e à sustentabilidade da cadeia produtiva.

Considerado um dos principais pólos da apicultura nordestina, o Sertão do Araripe produz um mel com características únicas, resultado direto da diversidade da flora nativa da Caatinga. O Mel do Araripe carrega a identidade do semiárido e reúne elementos como altitude, vegetação nativa, clima e organização territorial, que conferem qualidade e autenticidade. Essa combinação tornou o mel da Chapada do Araripe referência regional, gerando renda para centenas de apicultores e fortalecendo a economia local.

A explicação vem da própria natureza. A vegetação típica serve de pasto apícola para diferentes espécies de abelhas, que coletam néctar e pólen de plantas nativas como marmeleiro e cipó-uva, fundamentais para a produção de um mel de alta qualidade. Somado a isso, o clima semiárido, apesar dos desafios da estiagem, favorece períodos de floração abundante. A altitude também contribui para o desempenho da atividade, que já registrou resultados expressivos: entre 2006 e 2011, o pico de produção chegou a ultrapassar 1,7 mil toneladas. Nos períodos de seca severa, no entanto, a região pode perder até 80% dos enxames, reduzindo a produção para cerca de 100 toneladas anuais.

O mel produzido no Araripe carrega consigo a marca da Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, o que agrega identidade territorial e valor de mercado ao produto. Em parceria com instituições públicas e entidades locais, o Sebrae/PE vem atuando para ampliar a competitividade da cadeia produtiva, estimulando a organização dos produtores, a profissionalização da atividade e a preservação ambiental.

TERRITÓRIO FÉRTIL

A criação das abelhas, a retirada dos favos e o beneficiamento do mel acontecem no chamado “território da apicultura”, formado por municípios como Araripina, Trindade, Exu e Bodocó. As cidades possuem vocação natural para a atividade e se estruturaram por meio de associações, cooperativas e unidades de extração de mel.

“Essa atuação coletiva possibilita uma produção padronizada e alinhada às normas sanitárias vigentes, embora ainda existam produtores na informalidade. Por isso, além da atuação direta com os apicultores, é preciso buscar formas de fortalecer ainda mais a cadeia produtiva”, destaca Danilo Silva, gerente do Sebrae Pernambuco no Sertão do Araripe.

Vista como uma atividade sustentável, de baixo custo e integrada ao bioma local, a apicultura também contribui para a permanência das famílias no campo, estimulando a convivência produtiva com o semiárido e impulsionando os pequenos negócios da região.

DOCES RESULTADOS

Atualmente, 98 municípios pernambucanos registram algum nível de produção de mel. Ainda assim, o Sertão do Araripe lidera o ranking estadual da atividade. De acordo com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal, do IBGE, Pernambuco produziu, em 2022, mais de 1,6 milhão de quilos de mel de abelha, ocupando a quinta posição no Nordeste e a décima colocação no ranking nacional. O volume movimentou mais de R$ 25 milhões no período. Araripina segue como o principal município produtor do estado, respondendo por 19,3% da produção pernambucana de mel, com uma cadeia estruturada e atuação consolidada dos apicultores locais.

MEL COMO RIQUEZA

O Mel do Araripe também está entre os produtos pernambucanos com potencial para conquistar o reconhecimento como Indicação Geográfica (IG), por meio de uma iniciativa desenvolvida pelo Sebrae/PE e pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).

A força da cadeia produtiva do mel e a identidade construída a partir da Caatinga também serão apresentadas na série audiovisual Riquezas de Pernambuco, produzida pelo Sebrae/PE. Com episódios semanais exibidos no Instagram (@sebraepe) e no YouTube (youtube.com/sebraepe), a produção destaca atividades econômicas que impulsionam o desenvolvimento regional e reforçam a valorização dos territórios pernambucanos.

Foto: Léo Cavalcanti. 

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