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Pedido de dinheiro a Vorcaro abala pré-campanha de Flávio Bolsonaro

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Mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostram o senador cobrando US$ 24 milhões do banqueiro preso para financiar um filme sobre o pai. O episódio já provoca rachadura na direita e desgaste nas ruas.

O senador Flávio Bolsonaro está no centro de uma crise que pode redefinir o cenário eleitoral de 2026. Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil mostram que ele atuou diretamente para que o banqueiro Daniel Vorcaro — preso ao tentar deixar o país e alvo de investigações por fraudes bilionárias — financiasse Dark Horse, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a reportagem, Vorcaro teria se comprometido a desembolsar US$ 24 milhões para a produção. Documentos e registros de transferências apontam que ao menos US$ 10,6 milhões já teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. Em uma das mensagens, enviada em 16 de novembro do mesmo ano, Flávio escreveu ao banqueiro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!” No dia seguinte, Vorcaro foi preso. Pouco depois, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.

A reportagem ainda indica que as negociações envolveram o deputado cassado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro.

A versão de Flávio — e o problema com ela

Em nota, Flávio confirmou ter pedido os recursos, mas tentou minimizar: disse que foi “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai” e negou qualquer uso de dinheiro público ou oferta de contrapartidas.

O problema é que a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, soltou nota afirmando não ter recebido “um único centavo” de Vorcaro. A contradição entre as versões aprofundou ainda mais o desgaste.

“Em sua nota de defesa, Flávio Bolsonaro não explica, entre outras coisas, por que chama Vorcaro de irmão e por que estará ‘sempre com ele’ — isso tudo na véspera da prisão do banqueiro.”Flavia Tavares, jornalista

Reação em cadeia

O mercado financeiro reagiu mal: o dólar disparou mais de 2% e a bolsa caiu 1,8%, uma das maiores quedas diárias do ano. Na direita, o episódio acendeu o alerta sobre a capacidade de Flávio de enfrentar uma campanha presidencial. Nos bastidores, já circula a ideia de substituí-lo pela madrasta, Michelle Bolsonaro, que planeja concorrer ao Senado pelo Distrito Federal.

Romeu Zema (Novo) classificou o pedido de recursos como “imperdoável” e um “tapa na cara dos brasileiros de bem”. Ronaldo Caiado (PSD) cobrou “clareza e transparência” sobre a relação entre Flávio e Vorcaro.

Do lado do PT, a estratégia é usar o caso para pressionar pela instalação da CPMI do Banco Master e ampliar a exploração do tema nas redes sociais, associando a família Bolsonaro às fraudes investigadas na Operação Compliance Zero.

“Eu não vejo como Flávio Bolsonaro possa se recuperar. A sensação é que estamos diante de um daqueles momentos que decidem o rumo de uma eleição.” Disse -Pedro Doria, jornalista.

E a delação de Vorcaro?

Enquanto o escândalo político se desenrola, investigadores da Polícia Federal e da PGR avaliam devolver a proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. A avaliação é de que o material entregue até agora não traz fatos novos relevantes para as investigações — e que a colaboração tem caráter mais defensivo do que efetivamente útil para a Justiça.

Fonte: News do Meio.

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