O júri popular que apura a responsabilidade de quatro agentes da Polícia Militar de São Paulo segue para o seu terceiro dia de atividades. O caso, que comoveu a comunidade da zona sul da capital paulista, está sendo acompanhado de perto pela opinião pública e pelo sistema judiciário.
A expectativa é que o desfecho ocorra após as apresentações finais da acusação e da defesa. Conforme informações divulgadas pela CNN Brasil, o rito processual seguiu um cronograma rigoroso de oitivas de testemunhas e interrogatórios dos réus desde a última terça-feira.
Entenda a dinâmica do crime e as acusações
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a ocorrência teve início durante uma perseguição a suspeitos de tráfico de drogas em Paraisópolis. Os agentes teriam encurralado o jovem Igor Oliveira, de 24 anos, dentro de um quarto de residência.
A promotoria sustenta que, mesmo após a rendição, com as mãos sobre a cabeça, Igor foi atingido por disparos fatais efetuados pelos policiais Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima. A vítima, segundo relatos, não oferecia risco aos agentes no momento da abordagem.
A participação dos outros policiais no caso
Além dos dois executores diretos, os policiais Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus também respondem pelo crime. A justiça entendeu que eles concorreram para a prática do delito ao prestarem auxílio moral e material.
Testemunhas afirmaram em depoimento que não foram encontrados itens ilícitos, como drogas ou armas, no local da abordagem. O laudo pericial, apresentado em setembro do ano passado, reforçou a tese da acusação ao identificar a autoria dos disparos fatais contra o jovem.
Argumentos da defesa e alegações sobre câmeras corporais
A defesa dos policiais militares busca a absolvição sumária, alegando que os agentes agiram em legítima defesa. Os advogados argumentam que um dos indivíduos teria feito menção de sacar uma arma dentro do quarto, o que teria motivado a reação dos PMs.
Um dos advogados dos réus chegou a declarar que as câmeras corporais utilizadas pela corporação não teriam registrado a realidade dos fatos. A disputa sobre a interpretação das imagens e a legalidade da ação policial é um dos pontos centrais deste julgamento.
O clamor por justiça dos familiares
Os advogados da família de Igor Oliveira enfatizaram que a luta por justiça não é contra a instituição Polícia Militar, mas sim contra o excesso cometido pelos quatro agentes. O caso é visto como uma atrocidade que manchou a imagem da corporação perante a sociedade.
A fase de debates, que ocorre nesta quinta-feira, pode se estender caso o promotor decida pela réplica. O veredito do conselho de sentença será determinante para o futuro dos quatro policiais que seguem sendo julgados pelo Tribunal do Júri.
