Um levantamento recente, realizado pelo Instituto A.C. Camargo Câncer Center em parceria com a Nexus, revela dados preocupantes sobre o tabagismo no Brasil. A pesquisa indica que a iniciação ao vício ocorre cada vez mais cedo, com um impacto direto na saúde da população jovem.
O cenário entre os jovens
Na faixa etária de 16 a 24 anos, 19% dos entrevistados se declaram fumantes ativos, utilizando cigarros convencionais ou dispositivos eletrônicos. O índice supera a média nacional, que é de 17%. De acordo com Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo, o primeiro contato com o cigarro ocorre, em média, aos 16 anos. O médico alerta para o alto risco de dependência a longo prazo neste grupo, exigindo medidas urgentes de saúde pública.
Ambiente e estilo de vida
O tabagismo passivo também é um fator de risco relevante: cerca de 33% da população brasileira compartilha ambientes com fumantes, o que aumenta a probabilidade de desenvolvimento de câncer pulmonar. Além disso, 84% dos fumantes mantêm outros hábitos prejudiciais, como sedentarismo e má alimentação. Chama a atenção o fato de que 63% dos fumantes consideram sua saúde “ótima” ou “boa”, indicando uma subestimação dos riscos do vício.
Fatores socioeconômicos
A pesquisa estabelece uma correlação entre o tabagismo e vulnerabilidades socioeconômicas:
Renda: Pessoas que recebem até um salário mínimo apresentam taxa de consumo de 19%.
Escolaridade: Indivíduos que concluíram apenas o ensino fundamental lideram a incidência, com 21%.
Em contraste, o abandono do cigarro, mais frequente entre pessoas acima de 60 anos, geralmente está atrelado a uma mudança profunda no estilo de vida, com a adoção de rotinas mais equilibradas. O levantamento reforça a necessidade de políticas de conscientização que atuem desde a prevenção precoce até o suporte especializado para a cessação do tabagismo.
