Um levantamento divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico revela que 9% dos professores da educação básica pública no país não possuíam capacitação plena entre os anos de 2024 e 2025. O índice nacional alinha-se à média internacional das nações integradas ao bloco, que ficou em 9,1%, considerando docentes sem diploma, sem certificação ou desprovidos de instrução pedagógica.
Desafios na distribuição de profissionais
A publicação intitulada Panorama da Educação 2026 detalha que a contratação de educadores sem o perfil padrão decorre principalmente da escassez de mão de obra qualificada. No território brasileiro, essa carência se manifesta com maior intensidade em localidades remotas e regiões de alta vulnerabilidade social, afetando prioritariamente as disciplinas de matemática e ciências naturais.
“O professor é decisivo para a aprendizagem. É ele quem percebe onde cada estudante encontra dificuldades, adapta o ensino e ajuda a transformar conhecimento em possibilidades de vida. Por isso, valorizar os professores é uma escolha sobre o futuro do Brasil”, disse o superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques.
Distorção entre matrículas e corpo docente
Apesar da retração no quantitativo de discentes, a nação expandiu o quadro de mestres nos anos iniciais do ensino fundamental. O intervalo entre 2015 e 2024 registrou um incremento de 4% no total de docentes, ao passo que as matrículas sofreram queda de 7%. Em contrapartida, nas nações da OCDE, o crescimento de educadores nas escolas primárias públicas e privadas atingiu média de 13%, com expansão de 2% no público estudantil. Projeções indicam que a população de 5 a 14 anos no Brasil encolherá 3% até 2033, o que deve abrandar a necessidade futura por novos profissionais.
Evasão e condições insatisfatórias
Para além dos ingressantes, o fluxo de saída de profissionais agrava o cenário. Em 2022, 10,3% dos professores plenamente capacitados deixaram a profissão no país por meio de aposentadorias ou desligamentos, superando a taxa média da organização, fixada em 6,4% no ciclo letivo de 2024-2025.
“É preciso saber quem chega à escola, com que formação, para ensinar qual disciplina, em que território e por quanto tempo consegue permanecer”, afirmou o superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques.
A insatisfação com o ambiente de trabalho atinge 44,3% dos mestres dos anos finais do ensino fundamental no Brasil, enquanto a média internacional chega a 68,4%. No quesito remuneração, apenas 22,3% dos docentes brasileiros se dizem satisfeitos, comparados a 38,7% no bloco. O Ministério da Educação rebate apontando políticas de valorização financeira, como o Piso Nacional do Magistério, estabelecido em R$ 5.130,63.
Iniciativas governamentais e segunda carreira
Como contraponto à carência de pessoal, o governo federal implementou o programa Mais Professores para o Brasil e lançou a iniciativa Pé-de-Meia Licenciaturas. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou o impacto das ações na captação de talentos.
“Com o Pé-de-Meia Licenciaturas, aumentamos em 106% as matrículas de estudantes de alto desempenho no Enem, de 2024 a 2026. Cada vez mais, jovens estão enxergando na docência um projeto de vida”, avaliou Barchini, em nota à imprensa.
Adicionalmente, o aproveitamento de trabalhadores oriundos de outras áreas — a chamada segunda carreira — funciona como válvula de escape. No Brasil, 11,5% dos professores dos anos finais atuavam nessa condição em 2024, índice superior à média de 8,4% registrada pela OCDE.
“Ainda há desafios históricos a enfrentar, mas o Brasil voltou a ter uma política estruturada, contínua e abrangente para formar, atrair, reconhecer e valorizar seus professores”, afirmou Barchini.
