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Clima instável supera preços e define o rumo da produção nas usinas de açúcar e etanol no Brasil

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O cenário para a produção de açúcar no Brasil mudou drasticamente nos últimos meses. Diferente do que se esperava no início da temporada, não são as cotações financeiras que comandam a estratégia das usinas, mas sim as condições climáticas extremas que atingem o campo.

O centro-sul do país, principal motor da produção global, enfrenta um período de chuvas atípicas, intensificadas por um El Niño forte. Esse fenômeno, conforme dados da Reuters, tornou o clima o fator determinante para a decisão final de quanto açúcar ou etanol será fabricado até dezembro.

Abaixo, entenda por que a natureza está vencendo a lógica econômica e quais são os impactos reais dessa mudança na colheita e nos preços do adoçante para o consumidor final.

Por que o clima está travando a produção de açúcar

A explicação técnica para essa escolha é simples, mas impactante. A alta umidade da cana, causada pelo inverno mais chuvoso em mais de cem anos, estimula o crescimento vegetativo da planta, o que reduz a concentração de sacarose, tornando-a ideal para a produção de etanol, mas pouco atrativa para o açúcar.

Marcelo Bonifácio Filho, analista da corretora StoneX, destacou que o mercado abandonou a análise de preços para focar no clima. Enquanto a produção de etanol segue viável com essa matéria-prima mais úmida, o açúcar exige uma qualidade que o excesso de chuva não permite entregar neste momento.

O impacto dos preços e a expectativa do mercado

Embora os futuros do açúcar tenham subido mais de 21% em agosto, tornando a produção de adoçante cerca de 20% mais lucrativa que a de etanol, as usinas estão de mãos atadas. Fábio Meneghin, sócio da Veeries, reforça que o incentivo financeiro existe, mas a realidade climática impede o aumento da oferta.

Essa limitação de oferta pode pressionar ainda mais os preços. A GSX Commodities alertou que, caso as usinas não consigam ampliar a produção de açúcar, a escassez no mercado global pode resultar em novas altas, especialmente se as chuvas continuarem a atrapalhar a colheita no restante do ano.

Estimativas de safra em queda livre

O otimismo do início da safra, que previa 40 milhões de toneladas de açúcar, já foi substituído por cautela. A StoneX agora estima que o volume total pode não ultrapassar 38 milhões de toneladas, um reflexo direto das dificuldades logísticas e biológicas enfrentadas no campo.

A situação pode piorar, já que o analista sênior Michael McDougall aponta que a previsão de chuvas para o início de outubro deve gerar novas revisões para baixo nas estimativas. O setor agora vive a expectativa de encerrar a colheita superando os desafios impostos por um clima que não dá trégua.

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