O cenário da logística no Brasil está prestes a passar por uma transformação profunda nos próximos anos. O governo federal estabeleceu uma meta ousada, estimando que a metade das rodovias federais pavimentadas estará sob gestão privada até o ano de 2030.
Essa estratégia é impulsionada pela aceleração do Programa de Concessões de Rodovias Federais, o Procrofe, que tem avançado de forma constante na transferência da administração de trechos importantes para empresas do setor privado.
Conforme dados apresentados pelo Ministério dos Transportes, essa mudança de paradigma é vista como um passo essencial para garantir o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade das estradas brasileiras.
O salto histórico na participação privada
Para entender o tamanho desse avanço, basta observar o passado recente. Em 2014, apenas 7,7% da malha rodoviária federal estava operada pela iniciativa privada. Dez anos depois, esse percentual saltou para 24%.
Atualmente, cerca de 31% da malha da União já está sob esse modelo de gestão. A expectativa oficial é que esse número alcance 49,5% até o final de 2030, consolidando o setor privado como o grande protagonista da infraestrutura.
Durante uma apresentação em São Paulo, a secretária nacional de Rodovias, Viviane Esse, ressaltou que o encerramento deste ano deve atingir quase 32% de gestão privada, um marco relevante para a eficiência logística do país.
Investimentos recordes para modernizar o país
O volume de capital que deve ser injetado nas estradas impressiona. A previsão de investimentos privados entre 2023 e 2029 é de R$ 218 bilhões, um montante que supera em 69% tudo o que foi investido entre 1993 e 2022, totalizando R$ 129 bilhões.
Segundo Viviane Esse, o país ainda não tem a real dimensão do quanto esses recursos modificarão a infraestrutura. Ela destacou que esse valor refere-se apenas ao que já está contratado, sem considerar novos estudos que podem ampliar ainda mais os aportes.
A secretária reforçou que, desde o ano passado, o Brasil já registra mais investimentos privados do que públicos no setor rodoviário, mudando a lógica de financiamento das obras de manutenção e ampliação das vias.
O cronograma de leilões para 2027
O planejamento para os próximos anos é intenso e já conta com uma carteira robusta para 2027, totalizando cerca de R$ 102,68 bilhões em projetos de rodovias e ferrovias. O governo preparou uma agenda com 11 leilões previstos para o período.
Essa agenda inclui nove projetos baseados em novos estudos técnicos e dois focados em otimizações contratuais. O calendário começa em junho com as Rotas Integração do Sul e Portuária do Sul, passando pelos lotes da Malha Catarinense ao longo do segundo semestre.
O cronograma segue em setembro com a Rota do Vale do Café e a Rota Portuária Itaquí, chegando até dezembro com as licitações da Rota do Açu e da Rota Centro-Sul Baiano, mantendo o ritmo acelerado das concessões no país.
Fonte: CNN.
