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Casos de intolerância religiosa crescem na Bahia

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O Brasil tem registrado um aumento preocupante nos casos de intolerância religiosa nos últimos anos. A Bahia aparece entre os estados com maior número de ocorrências, com 175 denúncias formalizadas em 2024. Os dados refletem a continuidade de ataques, principalmente contra religiões de matriz africana, mas que também atingem outras expressões de fé.

No último sábado (17), o Nzo Mutá Lombô ye Kayongo Toma Kwiza, terreiro de tradição Bantu localizado em Salvador, foi alvo de pichações com mensagens de incitação ao ódio religioso. O ataque reacende o alerta sobre a violência simbólica e material sofrida por comunidades religiosas no estado.

“Não se trata apenas de uma agressão à comunidade atingida, mas de um crime grave que precisa ser investigado e punido. Às vésperas do Dia de Combate à Intolerância Religiosa, esse episódio reforça que o respeito é a base da democracia e que o Brasil só avança quando os direitos de cada pessoa são garantidos”, destacou.

O tema ganha ainda mais relevância com a proximidade do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro. A data foi instituída pela Lei nº 11.635/2007, de autoria do deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA), e homenageia a ialorixá baiana Mãe Gilda, vítima de perseguição religiosa.

Autor da legislação, o parlamentar afirma que o crescimento dos casos demonstra que o país ainda enfrenta grandes desafios. “Ser autor dessa lei é, acima de tudo, um compromisso permanente. Não se trata apenas de garantir a liberdade de culto, mas de assegurar respeito, dignidade e proteção a todas as expressões religiosas. A intolerância fere a democracia, agride a cultura e ameaça direitos fundamentais”, afirmou.

Daniel Almeida também defende o fortalecimento dos canais de denúncia, ações educativas contínuas e a responsabilização dos agressores, sobretudo em estados como a Bahia, onde a diversidade religiosa é parte central da identidade cultural. Segundo ele, apesar dessa pluralidade, ainda são frequentes episódios de discriminação, violência simbólica e perseguições motivadas pelo preconceito.

Para o deputado, combater a intolerância religiosa é reafirmar valores democráticos e garantir que o Brasil siga avançando como uma nação diversa, laica e comprometida com a defesa dos direitos humanos.

Foto: Richard Silva///

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