Para SGF Global, movimento exige adaptação estrutural e revisão de processos para garantir viabilidade operacional e conformidade com novas normas de saúde ocupacional.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 — modelo que prevê apenas uma folga semanal — deixou de ser uma pauta setorial para integrar o centro das decisões estratégicas das empresas no Brasil. O movimento sinaliza uma transformação estrutural nas expectativas dos profissionais e exige que as organizações redesenhem seus modelos de trabalho com foco em sustentabilidade operacional e saúde ocupacional.
Na avaliação de Heliana Silva, Country Manager da SGF Global no Brasil, o debate é urgente sob a ótica da saúde mental, mas impõe desafios de gestão que vão além da simples redução de carga horária. “A transição exige responsabilidade e adaptação estrutural das empresas, não apenas a redução de um dia na jornada”, afirma a executiva.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE) indicam que a média de horas trabalhadas no Brasil é de 39,2 horas semanais. No entanto, setores como comércio e serviços, onde a escala 6×1 é predominante, enfrentam jornadas extensas que geram desequilíbrios na organização do tempo.
Para sustentar novos modelos, Heliana explica que o futuro do trabalho passa obrigatoriamente pelo investimento em tecnologia e pela revisão de processos, permitindo que as equipes alcancem maior eficiência em menos tempo. “Sustentar modelos antigos em um contexto que exige mais equilíbrio tornou-se um risco estratégico”, alerta.

Vulnerabilidades jurídicas e gestão de risco
A manutenção de jornadas exaustivas tem gerado passivos ocultos para as organizações, elevando o risco de esgotamento e impactando a retenção de talentos. Somado a isso, as empresas enfrentam um novo marco regulatório: a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entra em vigor em 26 de maio de 2026 e amplia as exigências relacionadas à gestão de riscos psicossociais no ambiente corporativo.
A nova redação da NR-1 determina que as empresas passem a identificar, avaliar e controlar fatores psicossociais ligados ao trabalho dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), incluindo situações como sobrecarga de trabalho, metas incompatíveis, assédio, conflitos interpessoais e falhas de comunicação.
Além disso, a fiscalização deixa de ter caráter apenas educativo e passa a permitir autuações em caso de descumprimento das exigências relacionadas ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Especialistas apontam que organizações que não revisarem processos, políticas internas e modelos de gestão poderão enfrentar impactos jurídicos, financeiros e reputacionais.

