Quem acompanha a pecuária brasileira sabe que o Simbrasil vem ganhando espaço, e não é por acaso. A raça, resultado do cruzamento entre o Simental europeu e o Zebu, entrega algo que o produtor tropical sempre buscou: animal que cresce bem, se adapta ao calor e ainda serve tanto pra carne quanto pro leite. No dia 23 de junho, às 20h, a Saexi Agropecuária coloca à venda parte do que construiu em quase três décadas de seleção.
O 2º Leilão SAEXI vai ao ar pelo Canal Terra Viva com 35 lotes de animais e mais 10 lotes de embriões e sêmen de touros da própria seleção. A organização é da Programa Leilões. Entre os destaques, nomes que já circulam nas principais exposições do país: SAEXI Coragem, Grande Campeã Nacional Simbrasil; SAEXI Derringer, Reservada Campeã Nacional; e SAEXI Fórum, Reservado Campeão Nacional da mesma raça. Da linha Simental puro, aparecem Cleópatra (Reservada Grande Campeã Nacional), Elly (Campeã Nacional Vaca Precoce Simbrasil) e Bela VA, que acumulou dois títulos nacionais.
“Temos um compromisso com a disseminação do Simbrasil”, diz Bernardo Vasconcellos, titular da Saexi, ao falar sobre a decisão de levar os melhores animais do rebanho ao leilão.
Quase 30 anos de trabalho
A Saexi tem sede em Itabira (MG) e operações em Bom Jesus de Amparo, Nova União e no norte de Minas. O trabalho de seleção começou em 1998 e hoje o plantel conta com cerca de 5 mil matrizes, das quais 500 são Simbrasil e 300 Simental. A empresa trabalha com inseminação artificial em tempo fixo em todas as fêmeas e produz cerca de 2 mil embriões por fertilização in vitro ao ano. Quatro touros da seleção já foram contratados pelas principais centrais de sêmen do Brasil.
“A escolha pelo Simbrasil vem da necessidade de produzir com animais rústicos, funcionais e adaptados ao sistema a pasto”, explica Vasconcellos.
O que o produtor ganha com isso
Na linha de corte, o principal argumento é a heterose: o ganho de peso extra que vem justamente da combinação entre genética taurina e zebuína. É uma vantagem real, que aparece no desempenho e na reprodução quando comparado a sistemas mais convencionais.
Vasconcellos levanta ainda um ponto que muitos produtores ignoram: o que fazer com a fêmea F1. “Essa é a grande dúvida do pecuarista, e o cruzamento com o Simbrasil é uma excelente resposta pela rusticidade da raça”, afirma.
No leite, a empresa mantém controle leiteiro oficial com matrizes acima de 40 quilos por dia e primíparas passando dos 30 quilos diários. A Saexi está investindo em estrutura para chegar a 12 mil litros de leite por dia já na primeira fase de expansão.
E tem mais um detalhe que chama atenção: o bezerro macho, que em muitas raças leiteiras é descartado ou virou custo, aqui é ativo. “Pela forte influência do Simental, produzimos machos com excelente musculatura e ganho de peso, prontos para terminação precoce”, diz o criador.


