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Moagem de cana no Centro-Sul sofre queda acentuada em junho, mas produção de etanol surpreende o mercado

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O mercado sucroenergético brasileiro acaba de receber dados que mostram uma mudança importante no ritmo das usinas. A moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul, principal região produtora do país, apresentou um recuo considerável durante o mês de junho.

Este movimento reflete diretamente na estratégia das empresas do setor, que precisam lidar com uma menor disponibilidade de matéria-prima nos campos. A análise detalhada aponta para uma safra que exige adaptação constante dos produtores.

Segundo informações divulgadas pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o processamento de cana-de-açúcar caiu 14,5% em junho, totalizando 69,79 milhões de toneladas, frente aos 81,62 milhões registrados no mesmo período da safra anterior.

Impacto direto na produção de açúcar e etanol

A retração na moagem de cana afetou diretamente a fabricação de açúcar. Em junho, foram produzidas 3,90 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 26,33% na comparação anual, evidenciando o efeito cascata da menor oferta de cana nos canaviais.

No acumulado da safra 2026/27, até o dia 1º de julho, as unidades produtoras já processaram 214,47 milhões de toneladas. A produção de açúcar, desde o início do ciclo, também segue em baixa, com um recuo de 12,38%, somando 10,75 milhões de toneladas.

Etanol mantém força mesmo com menor moagem

Curiosamente, a produção de etanol seguiu um caminho oposto ao do açúcar. Em junho, foram fabricados 3,80 bilhões de litros, um aumento de 2,47% em relação ao mesmo mês da safra passada, mostrando a resiliência do biocombustível no mercado.

No acumulado do ciclo atual, a produção de etanol já alcançou 11,37 bilhões de litros, um crescimento expressivo de 20,44%. Esse desempenho demonstra que o setor tem buscado alternativas para manter a oferta em alta, mesmo diante das dificuldades com a safra de cana.

O papel estratégico do etanol de milho

O grande diferencial para esse resultado positivo no etanol é o avanço do etanol de milho. Em junho, as unidades produtoras fabricaram 796,13 milhões de litros a partir do cereal, uma alta de 8,40% sobre o mesmo mês da safra anterior.

O etanol de milho já responde por 20,98% da produção total de etanol do Centro-Sul no mês de junho. No acumulado da safra, foram 2,39 bilhões de litros produzidos, com um crescimento de 9,96%, consolidando o cereal como um pilar fundamental para o setor sucroenergético.

Estrutura produtiva no Centro-Sul

Para sustentar essa operação, a região Centro-Sul contava, ao final de junho, com 255 unidades produtoras em plena atividade. Esse grupo é composto por 235 usinas focadas no processamento de cana, 11 unidades de etanol de milho e nove usinas flex.

A diversificação das fontes de matéria-prima, com a integração do milho, tem se mostrado uma estratégia essencial para garantir o abastecimento de combustíveis. O setor continua monitorando as condições dos canaviais para definir os próximos passos do ciclo produtivo.

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