Juazeiro registrou 235 casos de violações de direitos contra mulheres em 2026, segundo dados do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Os números foram atualizados em 10 de agosto.
Os dados integram o balanço divulgado durante o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização sobre a violência contra a mulher. A iniciativa busca ampliar a informação sobre os diferentes tipos de violência, estimular a denúncia e fortalecer a rede de proteção e acolhimento às vítimas.
Na Bahia, o painel contabiliza 16.711 casos de violações contra mulheres em 2026. O número se refere a violações de direitos humanos — que podem incluir, entre outras situações, maus-tratos, exploração sexual e tráfico de pessoas. Segundo a metodologia do painel, um protocolo de denúncia pode reunir uma ou mais denúncias.
Do total registrado no estado, foram efetivados 2.062 protocolos de denúncia.
Salvador concentra o maior número de casos, com 5.857 registros. Entre os municípios baianos listados no levantamento estão:
Feira de Santana: 1.043 casos
Vitória da Conquista: 632
Camaçari: 376
Juazeiro: 235
Prado: 197
Itabuna: 183
Porto Seguro: 167
Teixeira de Freitas: 162
Itamaraju: 72
20 anos da Lei Maria da Penha
O Agosto Lilás ganhou um marco adicional em 2026: a Lei Maria da Penha completou 20 anos no dia 7 de agosto. Sancionada em 2006, a Lei nº 11.340 criou mecanismos específicos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher.
Ao longo dos anos, a legislação passou por diversas atualizações. Somente em 2026, novas leis ampliaram mecanismos de proteção às mulheres, incluindo mudanças relacionadas às medidas protetivas de urgência e ao afastamento do agressor quando houver risco à integridade física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial da vítima ou de seus dependentes.
O aniversário de duas décadas da legislação também reforça o debate sobre os avanços alcançados e os desafios ainda existentes na prevenção da violência e na proteção das vítimas.
Denúncia pode interromper ciclo de violência
Para a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Unime Anhanguera, Ma. Sabrine Silva Kauss, denunciar situações de violência é fundamental para possibilitar a atuação das autoridades e ampliar a proteção das vítimas.
Segundo a especialista, a denúncia também contribui para a responsabilização dos agressores e para a prevenção de novas ocorrências.
“Denunciar esse crime é essencial, pois gera reflexão e inquietação social. Ao denunciar, as vítimas podem receber proteção imediata contra o agressor, seja por meio de medidas de proteção, como ordens de restrição, ou por meio de acesso a abrigos seguros”, afirma Sabrine.
A especialista ressalta ainda que a denúncia contribui para combater mitos e estigmas relacionados à violência doméstica e de gênero, além de favorecer o acesso das vítimas a serviços de assistência jurídica, acolhimento e atendimento de saúde.
Como pedir ajuda
Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Em determinadas situações de risco, a vítima pode tentar realizar a chamada de forma discreta e informar que está em perigo.
Também é possível denunciar casos de violência contra a mulher pelo Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher.
As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) integram a rede de proteção e atuam na prevenção, investigação e apuração de crimes relacionados à violência contra mulheres. Nesses espaços, as vítimas também podem receber orientações sobre medidas protetivas de urgência.
Na Bahia, a rede especializada inclui DEAMs e Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher (NEAMs), além do serviço de atendimento on-line da Polícia Civil.
Em caso de risco imediato, procure um local seguro e acione as autoridades.
