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China une nações em torno dos grandes rios do mundo para promover cooperação global e preservação ambiental

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A China tem investido em uma estratégia diplomática inovadora, conectando diferentes culturas por meio da relação vital entre as populações e os grandes rios do planeta. O objetivo central é promover valores comuns e fortalecer a cooperação internacional diante dos desafios ambientais modernos.

O foco dessa iniciativa é o rio Yangtzé, que atua como a espinha dorsal da economia chinesa. Recentemente, a cidade de Chongqing, um polo industrial com 32 milhões de habitantes, sediou a 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, reunindo especialistas de quase 20 países.

O evento faz parte da Iniciativa para a Civilização Global, lançada pelo presidente Xi Jinping em 2023, conforme informações divulgadas pela Agência Brasil em cobertura exclusiva do encontro na China.

Durante o fórum, pesquisadores destacaram que a historiografia ocidental negligenciou, por muito tempo, a importância das civilizações que floresceram em torno do Yangtzé. Li Guoqiang, professor da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que o discurso acadêmico mundial sempre se inclinou excessivamente para o Nilo e a Mesopotâmia.

O evento proporcionou uma troca valiosa de experiências, como o modelo egípcio de medição das águas do Nilo para prever secas e enchentes. Alaa Hussein Mahmoud Menshawy, professor da Universidade de Luxor, ressaltou que, ao trabalhar em conjunto, os países podem encontrar formas mais eficazes de proteger os rios e as comunidades que dependem deles.

A China reconhece que seu rápido crescimento industrial trouxe impactos severos ao rio Yangtzé. Um exemplo trágico foi a extinção do golfinho Baiji, em 2006. No entanto, o país adotou a chamada teoria das duas montanhas, que busca conciliar a prioridade ecológica com o desenvolvimento econômico.

Essa doutrina, conhecida como civilização ecológica, tornou-se prioridade nacional em 2012 e foi incluída na Constituição chinesa em 2018. Medidas concretas, como a proibição da pesca profissional por dez anos, foram implementadas para tentar restaurar o equilíbrio do ecossistema local.

Conexão entre o Yangtzé e o Rio Amazonas

A aproximação com o Brasil é um pilar desse projeto, exemplificada pelo documentário Quando o Yangtzé encontra o Amazonas, que registra a vida de ribeirinhos brasileiros. A pesquisadora Vera Maria, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, defende que o Brasil pode aprender com os erros e acertos chineses.

Para a especialista, a industrialização predatória não é o caminho para a região amazônica. Ela reforça que apostar em economias sustentáveis, que mantenham a floresta em pé e valorizem produtos como o açaí e a castanha, é essencial para evitar que o país chegue a um ponto extremo de destruição ambiental.

Buscando um caminho do meio para o desenvolvimento

O professor André Pereira Reinnert Tokarski, da Unialfa, aponta que existe uma polarização entre a exploração predatória e a rejeição total de qualquer atividade econômica. Ele sugere a necessidade de encontrar um caminho do meio, que garanta o desenvolvimento social sem ignorar a preservação da natureza.

O debate reforça que a proteção dos grandes rios é um desafio comum a toda a humanidade. Através da cooperação, países como Brasil e China buscam equilibrar a necessidade de prosperidade com o dever de preservar os recursos hídricos para as futuras gerações.

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