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Juros altos no Brasil devem persistir, mas resiliência do empresariado abre portas para investimentos estratégicos segundo o Citi

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O cenário econômico brasileiro atravessa um período desafiador, marcado por uma política monetária que mantém a taxa básica de juros em patamares elevados. Essa realidade, que impacta diretamente o custo do crédito, tem exigido uma adaptação rigorosa por parte das empresas nacionais.

No entanto, a visão de especialistas indica que essa fase não é um ponto final, mas sim um momento de preparação. A capacidade de adaptação do setor privado brasileiro é vista como um diferencial competitivo fundamental para o crescimento futuro do país.

Conforme informações divulgadas pelo executivo André Cury, novo CEO do Citi no Brasil, em entrevista ao CNN Money, o país enfrenta um cenário onde os juros altos devem demorar mais para cair, mas o potencial de mercado segue muito promissor.

O desafio da inflação e a política monetária

André Cury destacou que a inflação elevada é o maior desafio atual, não apenas para o Brasil, mas para todo o mundo. O fato de a taxa Selic rodar em dois dígitos há mais de quatro anos cria uma peculiaridade que restringe o ritmo de investimentos no curto prazo.

Embora o Copom tenha realizado o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 13,75% ao ano, o Brasil ainda detém a maior taxa de juros reais do planeta. Isso faz com que o processo de normalização econômica seja mais lento do que o esperado.

Resiliência empresarial e o mercado de capitais

Apesar desses obstáculos, o CEO do Citi ressaltou que o empresariado brasileiro é muito resiliente e sofisticado. Segundo Cury, as companhias estão se preparando para esses cenários, sempre focadas nas oportunidades que surgirão e mantendo o pensamento no longo prazo.

O executivo também pontuou que os juros altos atrasam a potencialidade do mercado de capitais, já que o dinheiro mais caro força empresas a postergarem decisões de investimento. Contudo, há uma visão de oportunidade no horizonte de curto a médio prazo, dependendo da flexibilização da curva de juros.

Sectores estratégicos para o futuro do país

O Citi aponta três pilares principais que representam o futuro do Brasil e onde reside o maior potencial de crescimento. São eles a indústria digital, impulsionada pela inteligência artificial, o setor de minerais críticos e os grandes projetos de infraestrutura.

Essas áreas possuem uma demanda gigantesca por capital, o que acaba gerando um ecossistema favorável para bancos e investidores. A expectativa é que, com a estabilização, essas verticais funcionem como motores para uma aceleração do ritmo de atividade econômica no país.

O Brasil no radar dos investidores internacionais

O otimismo não é apenas local, pois o interesse internacional permanece elevado. Cury relatou que, em eventos globais recentes, como a Semana do Clima da ONU, o que mais ouviu sobre o Brasil foram referências positivas sobre o potencial em energia, minerais críticos e o setor alimentar.

O banco tem atuado como uma ponte, conectando negócios locais a investidores da Ásia, Oriente Médio e dos Estados Unidos. Esse fluxo constante reforça a tese de que, independentemente da taxa Selic, o Brasil continua sendo visto como um destino estratégico e promissor para o capital global.

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