Uma nova pesquisa de opinião divulgada esta semana reforça que a privatização da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e da Petrobras encontra resistência entre a população. “Quanto mais às pessoas têm a empresa como parte do dia a dia, menos elas querem privatizar”, analisa Paulo Gontijo, diretor executivo do movimento liberal Livres, que encomendou o levantamento ao Instituto Ideia Big Data.
“A crise tem mostrado — inclusive aos que defendem o Estado mínimo e as privatizações — a importância do setor público, a exemplo do Sistema Único de Saúde (SUS), e dos bancos públicos, como a Caixa, que faz parte da história e do cotidiano dos brasileiros”, ressalta o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto. “Acreditamos que a sociedade continuará defendendo essas empresas e pressionando o governo e o Congresso a não entregarem o patrimônio nacional aos interesses privados, que não levam em conta o legado social, mas apenas o lucro”, acrescenta.
De acordo com a pesquisa do Livres, a venda de estatais deve ser avaliada caso a caso. Para 45% dos entrevistados, a privatização deveria depender do setor e considerar também se a empresa em análise fecha as contas no azul ou no vermelho.
Apenas 19% dos entrevistados são favoráveis à privatização de qualquer estatal, independentemente das condições delas. Já o total de entrevistados contrários à venda das empresas chegou a 21% — um porcentual, portanto, maior do que os que são favoráveis à privatização geral.
Um grupo de 15% não soube responder ao levantamento encomendado pelo Livres, que se define como uma associação civil sem fins lucrativos que atua como um movimento político suprapartidário em defesa de bandeiras do liberalismo. A pesquisa entrevistou 1.688 pessoas entre os últimos dias 6 e 11 de janeiro.
“No caso da Caixa, a intenção do governo Bolsonaro é fatiá-la e privatizá-la por meio da venda de subsidiárias, até que a empresa deixe de ser um banco público rentável, competitivo e a serviço da população”, alerta Takemoto. “Mais do que em nenhum outro momento, a conjuntura e a relevância da Caixa Econômica para o país comprovam que o caminho não é vender este patrimônio. Ao contrário. É preciso fortalecer a estatal e melhorar ainda mais o suporte à sociedade”, reforça o presidente da Fenae.

