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Lula diz em Washington que não vê possibilidade de Jair Bolsonaro voltar à presidência no Brasil

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Por Heloisa Villela, correspondente da RFI nos Estados Unidos

O dia de Lula em Washington começou com uma entrevista exclusiva concedida à jornalista da rede CNN, Christiane Amanpour. Ao ser questionado sobre como pretende unificar o país, já que as pesquisas mostram um Brasil bastante dividido, o chefe de Estado disse que a polarização política é comum, especialmente quando as eleições têm apenas dois candidatos.

O líder brasileiro lembrou que isso aconteceu em vários países: na Alemanha, na França e nos Estados Unidos onde, segundo Lula, se passou o impensável: a invasão do Capitólio, um ataque ao Congresso no país que, para o brasileiro, é um exemplo de democracia. “Aqui aconteceu o que ninguém podia imaginar”, disse.

Mas o presidente afirmou que não vê a menor possibilidade de Jair Bolsonaro voltar à presidência no Brasil e garantiu não acreditar que todos os eleitores do ex-presidente continuem seguindo o bolsonarismo. Porém, Lula ressaltou que a próxima eleição americana será um marco importante para indicar possíveis caminhos para o futuro das democracias.

Encontro com Bernie Sanders e Alexandra Ocasio-Cortez

Lula se reuniu durante o dia com o senador democrata Bernie Sanders na Blair House, a residência do governo americano reservada para hospedar chefes de Estado. Depois do encontro, Sanders disse à imprensa brasileira que os dois políticos falaram principalmente sobre a necessidade de fortalecer as instituições democráticas no Brasil, nos Estados Unidos e em todo o mundo.

Durante a conversa com os jornalistas, Sanders se aborreceu com um brasileiro que, de posse de um megafone, tentou atrapalhar a entrevista na calçada da Avenida Pensilvânia, aos gritos. “Se acalme!”, disse o senador.

Para defender a democracia, Sanders destacou que é preciso combater a desinformação e a disseminação de “fake news”, mas lembrou que esse é um problema complexo com o qual o mundo inteiro está lidando e para o qual vai ser preciso encontrar uma saída.

Além da preocupação com as instituições democráticas no mundo, Sanders também viu como muito importante o encontro de Lula com líderes sindicais e a necessidade de proteger a Amazônia e combater o aquecimento global. Sobre o encontro com sindicalistas, o senador destacou que as democracias precisam governar para a maioria da população, em toda a América Latina. Precisam governar para os trabalhadores e não apenas para 1% da população.

Mas foi o meio ambiente e ocupou a maior parte da fala de Sanders. Ferrenho defensor de programas de combate ao aquecimento global, ele disse que a defesa da Amazônia é essencial para determinar se vai ser possível salvar nossa vida no planeta.

Antes de se dirigir para a Casa Branca, para o encontro com o presidente Joe Biden, Lula também se reuniu ainda com quatro deputados democratas, entre eles a nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez.

Durante a conversa, ela assinou a carta em apoio à democracia brasileira e também o documento que pediu a Biden que reavalie o visto de turista concedido ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

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