O câncer ginecológico é um dos mais incidentes nas mulheres – 32,1 mil novos casos anuais – segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Por isso, promover educação e pesquisa em prevenção, diagnóstico, tratamento e suporte ao paciente é o objetivo do EVA, idealizado pela oncologista clínica Angélica Nogueira Rodrigues. Desde seu surgimento no Congresso da SBOC em 2013, em Brasília, a entidade reúne membros em todo o país, que atuam para facilitar o conhecimento sobre os cânceres ginecológicos e no acesso às medidas, baseadas em evidência científica, para o seu controle
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para 704 mil novos casos de câncer por ano no Brasil até 2025. Além disso, um estudo da Varian Medical Systems em parceria com a The Economist Intelligence Unit (EIU) divulgou recentemente que o país pode ter um aumento de 42% nos casos de câncer entre 2021 e 2030. Com esses dados em mente, o Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), fundado em março de 2013, reflete sobre seu papel ao longo de sua primeira década de existência, incluindo o quanto contribuiu para impactar na qualidade de assistência, ensino, pesquisa e conscientização do câncer ginecológico no Brasil.
Segundo a idealizadora do EVA, a oncologista clínica Angélica Nogueira Rodrigues, o Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos surgiu com o “propósito de unir profissionais de saúde para promoção do controle integral da doença por meio de educação e pesquisa, focando em prevenção, tratamento e suporte ao paciente”. Nesse sentido, na última década, avanços da ciência e tecnologia possibilitaram novos métodos para tratar a doença e aumentar as chances de cura. O EVA buscou trabalhar em parceria com outras associações para unir esforços da entidade, dos médicos e das sociedades médicas para evolução do tratamento de câncer ginecológico.
O presidente do EVA, Glauco Baiocchi Neto, ressalta a dedicação de seus membros e recorda momentos importantes da última década: “Vivemos nos últimos 10 anos desde mudanças de paradigma no tratamento do câncer ginecológico com uso de imunoterapia (câncer do colo e endométrio) e inibidores de PARP (câncer de ovário), como também a importante incorporação da vacina contra HPV pelo SUS”. Desde então, dentre as inúmeras ações do instituto, há o tradicional Simpósio Anual, além de eventos e congressos internacionais, tumor boards (reuniões multidisciplinares), publicação de consensos, manual de oncologia oncológica e outras atividades de ensino.
O oncologista clínico Fernando Maluf, que presidiu o EVA de 2021 a 2022, ressalta que é um orgulho muito grande fazer parte desse grupo tão seleto de médicos e profissionais da saúde. “Uma construção de 10 anos que, ao longo do tempo, foi aglutinando profissionais de altíssima qualidade com os valores e a missão de prover a melhor informação possível sobre a prevenção e o diagnóstico de câncer ginecológico, não só para profissionais da saúde, mas também para a população através das atividades acadêmicas, comunicação, projetos de pesquisa e projetos sociais. Que venham mais 10 anos com crescimento contínuo a fim de melhorar outra vez o cuidado de diagnóstico de prevenção do câncer ginecológico no país”, deseja Maluf.
Campanha Setembro em Flor – A campanha que marca o mês de conscientização do câncer ginecológico foi criada em 2020 pela oncologista clínica Andréa Paiva Gadêlha Guimarães, diretora do EVA e coordenadora de Advocacy. A ação surgiu de uma carência de conhecimento da população brasileira sobre os tipos de cânceres que acometem o aparelho reprodutor feminino: câncer de colo de útero, ovário, endométrio, vagina e vulva. Durante as atividades, que ocorrem anualmente em setembro, o foco é conscientizar a população feminina sobre os sintomas e formas de prevenção.
“A maior conquista da campanha foi a criação de um canal para falarmos de câncer ginecológico em todos os seus aspectos. Trouxemos conscientização, alerta sobre sinais e sintomas dos cânceres ginecológicos para diagnóstico precoce, novas formas de diagnóstico e tratamento, utilizando diversos canais de comunicação, como redes socais com divulgação de posts, além da realização de lives com médicos, profissionais e agentes de saúde e parceiros”, reflete Andréa Paiva Gadêlha Guimarães.
A mobilização para prevenção e diagnóstico são fundamentais. A oncologista clínica e vice-presidente do EVA, Graziela Zibetti Dal Molin explica que para evitar o câncer de colo de útero, com 17.010 novos casos previstos para 2023, é muito importante o acesso e a adesão das mulheres ao exame de Papanicolau e à vacinação contra o papilomavírus humano (HPV). “Sabemos que a principal causa do câncer de colo do útero pode ser atribuída ao vírus HPV (vírus do papiloma humano), até hoje amplamente reconhecido como um fator necessário para o desenvolvimento do câncer invasivo”, explica.
Tanto o exame quanto a imunização estão disponíveis na rede pública. Como muitos desses cânceres acabam sendo silenciosos, é válida a atenção e conscientização para um rastreio controlado através de rotina de exames das mulheres. Nesse sentindo, promover educação e ensino em câncer ginecológico é um dos focos do grupo. Ainda em 2022, foi criado o EVA CAST, o podcast do instituto, com informação de qualidade sobre prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, bem-estar da paciente em tratamento e acompanhamento e inovações científicas sobre os tumores.

