Descoberta arqueológica revela que a lista oficial de monarcas da antiga Assíria, região citada na Bíblia, escondeu segredos de governantes depostos por séculos
Uma nova análise de tábuas de argila milenares está mudando o que sabemos sobre a história da antiga Assíria, localizada ao norte da Mesopotâmia. O estudo, que investigou documentos cuneiformes, revelou que três reis foram deliberadamente omitidos dos registros históricos tradicionais.
A pesquisa detalha como esses governantes, apesar de pertencerem à elite da família real, foram excluídos por terem tido reinados curtos ou por terem sido derrotados em disputas pelo trono. Conforme informação divulgada pelo Journal of Cuneiform Studies, esse achado altera a visão sobre a estabilidade do poder na época.
A falha na Lista de Reis Assírios
Por mais de cem anos, historiadores acreditaram que a Lista de Reis Assírios, escrita em tábuas de argila, era uma sequência completa e contínua dos governantes. No entanto, os pesquisadores Alexander Johannes Edmonds e Eckart Frahm demonstraram que o documento apresentava uma versão idealizada da monarquia.
A análise confirmou que nomes como Aššur-uballiṭ, Tiglath-pileser e Shalmaneser foram ignorados pelos escribas da época. Esses reis, que ocuparam o trono entre os séculos 10 e 8 a.C., foram vítimas de uma tentativa deliberada de apagamento histórico após perderem o poder.
Evidências em Nínive e o eclipse solar
Um dos casos mais curiosos envolve Tiglath-pileser, identificado através de uma tábua encontrada em Nínive, cidade famosa por ser mencionada na Bíblia. O objeto, hoje sob guarda do Museu Britânico, gerava confusão entre especialistas há mais de 125 anos por não se encaixar na cronologia oficial.
A instabilidade política daquele período era tamanha que, em 763 a.C., um eclipse solar foi interpretado como um sinal divino contra o rei Aššur-dān III. Esse cenário de crise, somado a uma epidemia em 765 a.C., permitiu que o novo Tiglath-pileser tentasse tomar o poder na cidade de Aššur, antes de ser derrotado.
Disputas internas e o fim do silêncio
O estudo também aponta que o rei Shalmaneser teve seu nome parcialmente apagado de uma estela de pedra, sendo substituído pelo de Tiglath-pileser III. Já Aššur-uballiṭ foi identificado em uma inscrição que narra a restauração de um recipiente ritual de prata, indicando que ele governou por um curto período por volta de 913 a.C.
Essas descobertas provam que a política assíria era marcada por rebeliões e disputas familiares intensas, longe da sucessão pacífica que os registros oficiais tentaram vender. A história, ao que parece, foi escrita pelos vencedores, mas as tábuas de 3 mil anos finalmente trouxeram os vencidos de volta à luz.
